Nessa sexta-feira (24/12), véspera de Natal, o Rio Grande do Sul registrou o terceiro sinistro em vala de resíduos industriais em empreendimento privado. Todos os três acontecimentos, negativos para o meio ambiente gaúcho, ocorreram por meio de incêndio em vala onde eram armazenados resíduos provenientes de empresas do setor coureiro-calçadista entre outras indústrias.
O primeiro incêndio ocorreu em 04 de fevereiro desse ano em uma vala da central de resíduos industriais localizada no município de Nova Santa Rita (RS). Matéria do jornal De Fato no endereço da internet www.newsflip.com.br/pub/defato/index.jsp?ipg=10953 conta a história do sinistro.
Dezenove dias após o incêndio em Nova Santa Rita, no dia 23 de fevereiro de 2010, a empresa Pró-Ambiente Indústria e Comércio de Produtos Químicos e Resíduos Industriais Ltda, localizada no bairro Costa do Ipiranga, município de Gravataí (RS), teve um incêndio em uma de suas valas de resíduos industriais, a mesma que no final do mês de outubro de 2009, já havia sofrido um desmoronamento. A matéria sobre o sinistro o leitor pode ler na íntegra no site Máfia do Lixo no endereço da internet http://www.mafiadolixo.com/2010/02/pro-ambiente-em-gravatai-sofre-um-segundo-acidente-em-menos-de-4-meses-sendo-que-dessa-vez-ocorreu-um-incendio-na-vala-que-recebia-lixo-industrial/
Ontem, por volta das 13h, um incêndio consumiu uma vala de resíduos industriais da OSCIP Utresa, que possui a sua sede no município gaúcho de Estância Velha.
O incêndio na OSCIP Utresa, no bairro Campo Grande, foi controlado por abafamento, ou seja, foi jogada terra sobre o foco de incêndio que somente pela madrugada foi totalmente controlado. Vitimado um bombeiro que ficou intoxicado e foi atendido em hospital local.
A central de tratamento de resíduos industriais da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), denominada União dos Trabalhadores de Resíduos Especiais e Saneamento Ambiental – UTRESA está instalada no município de Estância Velha, no Rio Grande do Sul. O empreendimento está sob intervenção da Justiça do Rio Grande do Sul que nomeou dois interventores para recuperar o passivo ambiental que existe na área em Estância Velha. O biólogo Jackson Muller e o geólogo Sandro Bertei comandam a recuperação do passivo ambiental da Utresa. A história desse empreendimento iniciou-se com a empresa UTRESA LTDA, depois surgiu a UTRESA S/A, formada por 44 quotistas, sendo que hoje 26 empresas participantes dessa sociedade anônima já faliram. Restam apenas 28 quotas de titularidade de empresas privadas, sendo que um empresário gaúcho detém duas quotas. A empresa UTRESA S/A é proprietária do imóvel, uma área de 35 hectares, na Estrada do Terminal 1545 onde está instalada a central de tratamento de resíduos industriais. Quem explora esse empreendimento é a União dos Trabalhadores de Resíduos Especiais e Saneamento Ambiental – UTRESA sem que tenha sido formalizada a transferência da titularidade da propriedade dessa área. Entre os problemas que lá existem está uma monumental cava, denominada de Vala 7, a qual possui medidas de 200 metros de comprimento, 80 metros de largura e 32 metros de altura. Essa Vala 7 está repleta de resíduos industriais e por conseqüência se encontra desativada.
Tenho questionado como se formou a Vala 7 da UTRESA. Quais as empresas que tiveram seus resíduos sólidos industriais enterrados na Vala 7, sem o devido Manifesto de Transporte de Resíduos – MTR? Quais as empresas responsáveis por terem recebidos esses resíduos industriais para serem destinados em seus empreendimentos privados e que acabaram sendo enterrados na Vala 7 da UTRESA? Essa Vala 7 já sofreu um acidente de proporções significativas. Seria necessário ainda promover uma “leitura” da Vala 7 e conhecer o que está lá enterrado clandestinamente. Com toda a certeza há resíduos clandestinos, vindo de outras centrais de tratamento, de empresas privadas, tudo sem autorização para que isso ocorresse. Hoje a União dos Trabalhadores de Resíduos Especiais e Saneamento Ambiental – UTRESA recebe os resíduos industriais de diversas empresas e destina-os adequadamente em uma nova vala devidamente preparada para evitar o contato com o solo. Mensalmente a Utresa recebe algo em torno de 15.000 m3 de resíduos industriais. No final de dezembro do ano passado os interventores construíram uma vala de 90 m de comprimento x 90 m de largura e 6 metros de profundidade, visando receber perto de 70.000 m3 de lixo das industriais do RS. A receita oriunda da prestação de serviço de tratamento de resíduos industriais é aplicado na recuperação do passivo ambiental.