Pesquisa mostra as pesagens das massas de resíduos sólidos urbanos de municípios gaúchos que são destinadas em aterro sanitário privado

Balança de pesagem do lixo no aterro sanitário em Minas do Leão

Balança de pesagem do lixo no aterro sanitário em Minas do Leão

O administrador Enio Noronha Raffin concluiu uma pesquisa sobre as pesagens das massas de resíduos sólidos urbanos (RSDU) de municípios do Rio Grande do Sul, as quais são “enterradas” no aterro sanitário privado de Minas do Leão (RS). Os dados foram considerados para uma amostragem correspondente a 1/6 do total dos municípios gaúchos, ou seja, o percentual de 16,12% das cidades (no RS são 496 municípios). Foram escolhidas as 80 cidades do Rio Grande do Sul que enviaram, em julho de 2004, os seus resíduos sólidos urbanos para o empreendimento em Minas do Leão. O aterro sanitário que serviu para a pesquisa possui a capacidade para receber 60.000 toneladas de RSDU por mês. Consideramos algumas informações de cada uma das cidades gaúchas, com o objetivo de obter os dados estatísticos sobre o lixo: a população, a distância do município ao aterro sanitário, a pesagem total da massa de resíduos sólidos urbanos enterrada no empreendimento, a pesagem unitária (no aterro) de cada um dos 80 municípios, o preço da tonelada do lixo transportada e destinada em Minas do Leão, entre outros itens. O ano base de referência na pesquisa foi o de 2004 e o mês o de julho. Os dados das populações dos municípios gaúchos (ano base de 2004) foram obtidos junto ao portal da Fundação de Economia e Estatística (FEE), órgão vinculado ao governo do RS. Uma das perguntas respondidas: “Quanto cada pessoa, em seu município no RS, contribuiu para a massa de resíduos sólidos urbanos que foi “enterrada” no aterro sanitário privado de Minas do Leão?” A pesquisa considerou o peso do lixo que cada um dos habitantes das cidades analisadas contribuiu para o montante de toneladas de RSDU ingressadas no empreendimento privado. O total da massa de RSDU enterrada no aterro sanitário em Minas do Leão no período analisado, correspondeu a 34.153 toneladas. Porto Alegre contribuiu para o total da massa de RSDU com 23.558 toneladas de lixo, no período entre 01/07/2004 e 31/07/2004. Ou seja, o município de Porto Alegre deteve a participação de 68,97% naquele ano. Couberam aos demais 79 municípios gaúchos analisados o percentual de 31,03%. Das 80 cidades analisadas, Santa Cruz do Sul foi o segundo município que mais contribui com lixo para o aterro sanitário de Minas do Leão, chegando a 1.792 toneladas de RSDU, no mesmo período. O terceiro município que mais contribuiu para a massa de resíduos sólidos urbanos destinados no aterro sanitário foi o de Bento Gonçalves, que chegou a 1.562 toneladas, em julho de 2004. Um dado interessante, por exemplo, mostra que cada habitante do município de Porto Alegre (em 2004 o total era de 1.395.802 pessoas) contribuiu com 650 gramas de lixo para a massa de RSDU enterrada no aterro sanitário de Minas do Leão, no período em questão. O peso do lixo, que cada habitante da cidade de Porto Alegre contribuiu para a massa de RSDU, enterrada no empreendimento privado, é bastante inferior ao que essa mesma pessoa produziu no mês de julho de 2004. Isso porque há de se considerar outras pesagens que não foram destinadas no aterro sanitário de Minas do Leão, como por exemplo, a da coleta seletiva, cujo material obtido é entregue as cooperativas de reciclagem. Outro item de pesagem descartado é o resíduo inerte, que coletado na cidade de Porto Alegre é destinado no aterro de inertes. É importante comentar que de 2004 a 2009 o número de municípios que enterram seus RSDU no aterro sanitário de Minas do Leão quase dobrou. Uma outra informação bastante interessante: “A soma das distâncias do transporte do lixo dos três municípios (Porto Alegre, Santa Cruz do Sul e Bento Gonçalves) que mais contribuíram para a massa de RSDU no aterro sanitário de Minas do Leão chegou a 542 km.” O documento da pesquisa inédita contém 90 paginas com dados sobre o lixo do Rio Grande do Sul. A pesquisa serve de subsídio para análise, por exemplo, da determinação do percentual de participação de cada município na receita de créditos de carbono e na exploração do biogás para produção de energia. Basta lembrar que a empresa Estre Ambiental S/A, em São Paulo, completou recentemente a venda de créditos de carbono, gerados por seu aterro sanitário do município de Itapevi (SP), para o banco francês Natixis S/A. A transação envolveu a venda futura de aproximadamente 500 mil créditos com o valor próximo a R$ 20 milhões.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...