‘Gomorra’ desnuda o tráfico dos resíduos industriais na Itália (Parte 1)

O livro Gomorra, de autoria do jornalista Roberto Saviano, desnuda o lixo da Itália. Saviano relata em sua obra (virou fenômeno de venda) os caminhos do tráfico dos resíduos industriais. O sul da Itália é o destino final de todo o lixo tóxico da escória da produção. Diz Roberto Saviano que “a zona mais atingida pelo câncer do tráfico de resíduos tóxicos encontra-se entre as cidades de Grazzaniese, Cancello ad Arnone, Santa Maria la Fossa, Castel Volturno e Casal di Príncipe – quase 300 quilômetros quadrados de extensão – e no perímetro napolitano de Giugliano, Qualiano, Villa Rica, Nola, Acerra e Marigliano. Nenhuma outra terra no mundo ocidental teve uma carga maior de lixos variados, tóxicos e não-tóxicos, despejados ilegalmente. Graças a esse negócio, o faturamento que caiu nos bolsos dos clãs mafiosos e de seus mediadores atingiu, em quatro anos, 44 bilhões de euros. Um mercado que teve nos últimos tempos um incremento total de 29,8% comparável somente a expansão do mercado da cocaína. Dos fins do ano 1990 em diante, os clãs camorristas se tornaram os líderes continentais no escoamento de resíduos. No território de Giugliano na Itália foi descoberta uma mina desativada repleta de lixo. A maior parte do tráfico de detritos tóxicos tem uma direção única: “norte-sul”. Desde os fins dos anos de 1990, um milhão de toneladas de resíduos foram acabar em Santa Maria Capua Vetere. O bispo de Nola define o sul da Itália como o aterro clandestino da Itália rica e industrializada. O mecanismo de despejo de resíduos ilícitos começa com empresários de grandes empresas ou também de pequenas empresas que querem pagar preços irrisórios para se livrar dos resíduos dos quais nada mais é possível extrair senão custos. Depois entram em ação os titulares de centros de armazenagem que aumentam os volumes e alteram seus conteúdos, recolhendo resíduos e em muitos casos misturando-os com lixo comum, diluindo a concentração tóxica e desclassificando, relativamente ao Catálogo Europeu de Rejeitos, a periculosidade dos dejetos tóxicos. Profissionais são fundamentais para rebatizar uma carga de lixo tóxico. Muitos fornecem um formulário de identificação falso com códigos de análises mentirosas. Depois há os transportadores que percorrem o país para chegar ao lugar determinado para descarregar, e por fim há os descarregadores. Elementos necessários para fazer funcionar todo esse mecanismo são os funcionários públicos que não fiscalizam, nem verificam as várias etapas das operações ou os que entregam as administrações de minas e aterros as pessoas claramente inseridas nas organizações criminosas. Os verdadeiros artífices das transações são os stakeholders, ou seja, os intermediários interessados no negócio. São os stakeholders os verdadeiros gênios criminosos do negócio do aterramento ilegal de lixos perigosos.

Quadrilátero dos depísitos clandestinos de resíduos industriais na Itália

Quadrilátero dos depósitos clandestinos de resíduos industriais na Itália

A ‘Operação Houdini’, na Itália, demonstrou que em um único equipamento na região de Vêneto movia ilegalmente cerca de 200 mil toneladas de resíduos industriais por ano. A ‘Operação Cassiopéia’, também promovida pelas autoridades italianas, demonstrou que toda a semana partiam do norte para o sul 40 carretas repletas de resíduos (cádmio, zinco, borra de verniz, lama de depuradores, plásticos diversos, arsênico e chumbo) que eram despejados e enterrados no solo. A direção norte-sul era a preferida dos traficantes. Muitas empresas do Vêneto e da Lombardia, por intermédio dos stakeholders, adotaram um território na região napolitana ou caserana, transformando-o em um enorme depósito de lixo. Estima-se que, nos últimos 5 anos, tenham sido escoados ilegalmente cerca de 3 milhões de toneladas de resíduos de todo o tipo na Campânia, dos quais um milhão somente na província de Caserta. Nem mesmo a região ambientalista da Itália escapou dos traficantes. Um papel relevante na geografia dos tráficos ilícitos tem sido desenvolvido pela Toscana, a região mais ambientalista da Itália. Ali se concentram diversos níveis dos tráficos ilegais, da produção a intermediação, todos descobertos em três investigações: a Operação ‘Rei Midas’, a ‘Mosca’ e a ‘Agricultura Biológica’.”

Central de Resíduos Sólidos Industriais em Lajeado inicia suas operações dia 20 de janeiro

Empresários e executivos reuniram-se no Salão de Eventos da Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil) para o início das operações da Central de Resíduos Sólidos Industriais. O encontro técnico foi coordenado pelo presidente da Fundação Pró-Rio Taquari, empresário Valmor Scapini. O responsável pela operação da central repassou informações aos representantes das 43 organizações participantes do projeto da central de resíduos, que se localiza na estrada municipal Travessão São Bento, prolongamento da Avenida Benjamin Constant, 8.309, divisa com o aterro de resíduos urbanos de Lajeado. O recebimento dos resíduos começa no próximo dia 20 de janeiro. (mais…)

Projeto da Embrapa Solos pode reduzir dependência externa de nutrientes do Brasil

Em parceria com empresas do setor privado, a Embrapa Solos está desenvolvendo fertilizantes orgânicos à base de resíduos industriais. Com isso, o Brasil poderá reduzir a importação de nutrientes, que representam atualmente 75% do total de 30 milhões de toneladas consumidas por ano. Atualmente o Brasil importa 75% dos nutrientes que consome na agricultura, seja em resíduos orgânicos ou minerais, o que corresponde a um total de 22 milhões a 24 milhões de toneladas por ano. Quanto ao potássio, o país importa anualmente 92% do volume consumido. “E a tendência é aumentar.” O objetivo da Embrapa Solos é estimula empresas nacionais que já produzem fertilizantes orgânicos por processos não-tecnológicos, baseados na simples compostagem de resíduos orgânicos, oferecendo apoio tecnológico para que seus produtos tenham garantias técnicas mínimas que substituam o produto importado. A Embrapa busca usar sua tecnologia para colocar no mercado um fertilizante em condições de competir com o importado. Outro aspecto positivo é a proteção do meio ambiente por intermédio do reaproveitamento de resíduos na produção do fertilizante. O uso de fertilizantes adequados é um dos fatores necessários para a agricultura orgânica brasileira alcançar alta produtividade com baixo impacto ambiental.

Gomorra revela o transporte do ‘lixo tóxico’ para depósitos impróprios

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O filme “Gomorra” de Matteo Garrone foi o vencedor do Grande Prêmio do Festival de Cannes e está indicado ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, sendo um dos favoritos ao Oscar na mesma categoria. Gomorra, o filme, é baseado no livro de mesmo nome de autoria do  jornalista italiano Roberto Saviano. O autor do livro Gomorra se infiltrou na máfia Camorra para desvendar como ela funciona. Apesar de parecer que tudo corre bem nas províncias de Nápoles e Caserta, na Itália, a máfia Camorra está dominando diversos setores cotidianos da sociedade, fazendo com que simples moradores tenham que abdicar de seus princípios para que possam sobreviver. Num grande condomínio da periferia, isso fica bastante claro. Dom Ciro é um típico caso do homem que se considera honesto, mas que trabalha para os mafiosos por medo do que possa acontecer. Ele é o responsável por pagar aos moradores para que não traiam os criminosos. No mesmo local também vive Totó, um garoto que ajuda sua mãe em uma pequena venda e é bastante querido pelos moradores. Mesmo com os incentivos da mãe para que tenha uma vida honesta e se mantenha longe da confusão, o menino se deixa seduzir pelos bandidos e deseja ser um deles. Mais ambiciosos são Marco e Ciro, dois jovens que, ao contrário de Totó, não querem ser escolhidos para trabalhar dentro de organizações de tráfico de drogas, mas querem matar os grandes traficantes para ocupar o cargo máximo. As dificuldades são grandes também para Pasquale, um alfaiate da alta-costura italiana, mas que trabalha sem muitas condições, sendo explorado pela sua origem pobre. Cansado, ele aceita a proposta de imigrantes chineses, que oferecem uma grande quantia para que ele ensine tudo o que sabe. Também vindo de uma família humilde, Roberto sempre teve dificuldade de encontrar um emprego, até ser contratado por Franco, um importante empresário, para ser seu braço direito. Porém, ele terá que ajudá-lo a enganar pequenos proprietários de terra para que os deixem jogar lixo tóxico no local. Até aqui é o filme. Mas tudo indica que há um setor novo e promissor: o tráfico de resíduos tóxicos, perigoso para a saúde dos habitantes e o meio ambiente do país e que movimenta US$ 2,6 bilhões por ano. (mais…)

Processo de central de resíduos industriais em São Francisco de Paula no RS tem indeferimento de licença prévia

No município de São Francisco de Paula, no Rio Grande do Sul, a empresa privada ANC Comercio de Imóveis e Serviços Ltda, CNPJ 91.893.065/0001-69, com endereço na RST 453, KM 95, S/N, visava implantar uma central de recebimento e destinação de resíduo sólido industrial classe I, na região de Lajeado Grande, mais especificamente localizado no Morro do Chapéu. A empresa dona do empreendimento de São Francisco de Paula ingressou na Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler – RS (FEPAM), com o processo administrativo Nº: 3290-05.67/07.2, em 24/04/2007, o qual recebeu em 02/12/2008 o indeferimento de licença ambiental. Com certeza os moradores do Morro do Chapéu e de Lajeado Grande, em São Francisco de Paula, foram preponderantes para esta conquista. Um representante dos moradores que são contrários a implantação desse empreendimento de resíduos industriais, diz que agora resta mais um na região e que o mesmo é alvo da comunidade.

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