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Polícia Federal começa a investigar a ‘máfia do lixo internacional’ no Brasil

9 de julho de 2009
Máfia internacional envia lixo industrial, tóxico e doméstico para o Brasil

Máfia internacional envia lixo industrial, tóxico e doméstico para o Brasil

Era de se esperar que em um fato gravíssimo que envolve a “máfia do lixo internacional” tivesse a investigação da Polícia Federal (PF). Ontem, quarta-feira (08/07) a “Força-Tarefa” criada no Rio Grande do Sul para investigar o caso do lixo industrial, tóxico e doméstico que foi descarregado no Porto de Rio Grande e no Porto de Santos, em São Paulo, recebeu informação de que a Polícia Federal começou atuar. Atendendo solicitação da Procuradoria da República, a Polícia Federal abriu inquérito para apurar as responsabilidades sobre a transferência do lixo, algo em torno de 64 containeres repletos de lixo (seriam aproximadamente 1.200 toneladas). Nos próximos 30 dias, a equipe comandada pelo delegado João Manoel Vieira Filho deve ouvir todos os envolvidos. A apuração terá início a partir dos documentos pertinentes à carga, enviados pela Procuradoria e Receita Federal. “As investigações devem levar tempo, porque há empresas estrangeiras envolvidas”, prevê o delegado da PF. Antes da abertura do inquérito, uma reunião preliminar entre o Ministério Público Federal (MPF), a PF e a Receita Federal definiu a articulação do trabalho conjunto entre os órgãos públicos. O lixo, que chegou criminosamente ao Brasil entre fevereiro e maio deste ano, foi embarcado no porto de Felixtowe, na Inglaterra, fazendo escala em Antuérpia, na Bélgica. A carga foi identificada nos documentos de importação, de forma fraudulenta, como polímeros de etileno. Em nota oficial, a Procuradoria da República divulgou que a carga deve retornar à Europa. A procuradora Anelise Becker, de Rio Grande, no RS, remeteu ofício ao Ministério das Relações Exteriores. O órgão federal deve solicitar ao Reino Unido para que providencie o retorno do lixo à sua origem. Até o momento, as investigações apontam que o lixo foi enviado por uma exportadora inglesa. O material levado a Rio Grande (RS) tinha como destino uma empresa da cidade de Bento Gonçalves (RS). Cinco empresas (quatro com sede no Rio Grande do Sul e uma em São Paulo) importaram o lixo do exterior. Cada uma foi autuada em R$ 408,8 mil pelo Ibama. As investigações da Polícia Federal também apuram que benefícios as empresas teriam em trazer a carga de lixo ao Brasil. “Já existe todo um histórico de uma prática da máfia na Itália de desviar o lixo do descarte e colocar em outros países. A gente já tinha informação de que esse tipo de prática acontecia nos países africanos. Agora, infelizmente, acontece aqui no Brasil”, afirmou Marco Medeiros, inspetor da Receita Federal.

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Máfia do lixo internacional atua no Rio Grande do Sul e São Paulo

29 de junho de 2009

Rio Grande do Sul e São Paulo entraram na última sexta-feira (26/06) para a história do tráfico de lixo internacional. A famigerada máfia do lixo internacional enviou para o Brasil o total de 64 contêineres carregados com cerca de 1.200 toneladas de lixo industrial, tóxico e domiciliar. Os destinos no Brasil: Porto de Rio Grande (RS) e Porto de Santos (SP). Dos 64 containeres o total de 40 foram retidos em Rio Grande (RS), 8 foram barrados na estação aduaneira de Caxias do Sul (RS) e 16 no porto de Santos (SP). O Ministério Público Federal (MPF) e a Receita Federal (RF) investigam o caso do lixo que veio da Inglaterra. Na documentação entregue nas alfândegas dos referidos portos, consta que a carga seria de polímero de etileno e de resíduos plásticos, que deveriam ser usados na indústria de reciclagem. No entanto, além de sacolas plásticas, havia papel, pilhas, seringas, banheiros químicos, cartelas vazias de remédios, camisinhas, fraldas, tecido e couro, dentre outros. O que chamou a atenção é que em um dos contêineres havia um tonel com brinquedos onde estava escrito: “Por favor: entregue esses brinquedos para as crianças pobres do Brasil. Lavar antes de usar”. A carga partiu do porto de Felixstowe, um dos maiores do Reino Unido. Antes de chegar ao Brasil, o navio passou pelo porto de Antuérpia, na Bélgica. As investigações apontam que o lixo foi enviado por uma exportadora inglesa. Os navios chegaram ao Rio Grande do Sul entre fevereiro e maio. O material levado ao Rio Grande do Sul teria como destino uma empresa de Bento Gonçalves. Cinco empresas (quatro com sede no Rio Grande do Sul e uma em São Paulo) importaram o lixo. Cada uma foi multada em R$ 408 mil pelo IBAMA. Elas têm de enviar a carga de volta para a Inglaterra em até dez dias. Atualmente, mais de 400 milhões de toneladas de resíduos perigosos são gerados no mundo inteiro. Cerca de 10% deste total cruza as fronteiras entre países, via máfia do lixo internacional. Grandes depósitos de ácidos corrosivos, produtos orgânicos sintéticos, metais tóxicos e outros resíduos representam uma séria ameaça à saúde das pessoas e aos ecossistemas, causando contaminação das águas subterrâneas e outros tipos de poluição. No Rio Grande do Sul uma “Força Tarefa” composta pelo Ministério Público de Contas (MPC) e Ministério Público do Estado (MPE) investigam uma denúncia sobre lixo industrial enterrado em “centrais de resíduos” de cidades gaúchas. Recentemente o Ministério Público de Contas protocolou a Representação MPC nº 008/2009, dirigida ao TCE-RS (Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul), requerendo auditoria operacional na Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler – RS (FEPAM), órgão estadual responsável pelo meio ambiente do RS e pela concessão de licenças ambientais para empreendimentos que enterram lixo industrial. A providência é motivada por denúncia de possível ocorrência de fatos que indicariam deficiências operacionais na Fundação, seja no procedimento prévio de licenciamento, seja no posterior de fiscalização, em relação a empresas da área de destinação de resíduos industriais as quais acabaram por produzir resultados ambientalmente danosos, de conhecimento público. Assim, o MPC requereu ao TCE-RS auditoria operacional, a qual possibilita o acompanhamento e a avaliação da ação governamental, da utilização econômica dos recursos públicos, da eficiente gestão de bens e serviços, do cumprimento das metas e do efetivo resultado das políticas governamentais. Tudo indica que o MPF deverá se agregar as investigações dessa “Força Tarefa” gaúcha.

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‘Laboratório’ funcionava dentro de hotel de luxo no Amazonas

22 de abril de 2009

rio negro lodge 300x229 ‘Laboratório’ funcionava dentro de hotel de luxo no AmazonasUma operação realizada em alguns estabelecimentos hoteleiros no Amazonas, no final de março e início do abril desse ano, é somente agora divulgada. A Receita Federal conjuntamente com o IBAMA e a Marinha do Brasil descobriram a existência de um laboratório de biologia pirata em um hotel de luxo na selva amazônica. O laboratório de pesquisa estava instalado no hotel Rio Negro Lodge. Empreendimento esse que fica localizado na margem direita do rio Negro, no Amazonas, entre as comunidades Baturité e Camaru, perto do município de Barcelos. O dono do hotel de selva Rio Negro Lodge é o norte-americano Philip Marsteller. A operação aconteceu no período entre 24 de março e 8 de abril desse ano, na calha do rio Negro, a 470 quilômetros de Manaus. Segundo um representante da Receita Federal no Amazonas, o auditor fiscal Ricardo Pereira, o hotel de selva Rio Negro Lodge foi alvo de investigação por conta dos produtos e máquinas importadas adquiridas pelo seu proprietário Philip Marsteller, além de manter em cativeiro animais silvestres (alguns em processo de extinção) em um pequeno zoológico. Para surpresa dos membros dessa operação, a fiscalização descobriu um laboratório de biologia pirata no hotel. No laboratório havia vários microscópios e lâminas com insetos, raízes, flores e plantas da Amazônia. “Ainda não sabemos o motivo das pesquisas que vinham sendo realizadas”, disse Ricardo Pereira. Ele explicou que as mercadorias eram compradas de forma ilegal e que, há quatro anos, tramita na Justiça um processo de operação ilegal de compra de mercadorias contra o dono do hotel Rio Negro Lodge. “Ele sonegava o imposto e isso se caracterizava como contrabando”, afirmou o auditor. De acordo com o chefe da Divisão de Repressão ao Contrabando e Descaminho da Receita Federal no Pará, que também participou da operação no Amazonas, foram destacados 80 militares da Marinha do Brasil, cinco servidores da Receita Federal e quatro funcionários do IBAMA. O apoio logístico contou com dois navios de guerra da Marinha do Brasil e um helicóptero. A operação resultou em concessão de multa no valor de R$ 2,7 milhões ao hotel de selva Rio Negro Lodge. O superintendente do Ibama, informou que o hotel Rio Negro Lodge foi multado por não ter licença de funcionamento, manter animais em cativeiro e uma marcenaria não autorizada. O Ibama notificou o proprietário do hotel Rio Negro Lodge. Pediu também explicações sobre o material apreendido e para que fins estava sendo utilizado. No período da operação foram apreendidas diversas lanchas, quadriciclos, centrais de ar-condicionado e motores de popa. O total de multas aplicadas aos empreendimentos hoteleiros fiscalizados pela Receita Federal, Marinha do Brasil e IBAMA chegou ao montante de R$ 3,4 milhões.

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