Conheça a rota do tráfico internacional de lixo com partida da Espanha e destino final no Brasil

Fiscais da Receita Federal de Itajaí, município do Estado de Santa Catarina, no Brasil, apreenderam na última sexta-feira (02/09) o total de 60 toneladas de lixo que estavam acondicionados em seis contêineres lacrados.

O material foi importado por uma empresa com sede na cidade gaúcha de Farroupilha, no Estado do Rio Grande do Sul. O tráfico teve a participação de uma exportadora uruguaia.

Segundo a Alfândega do Porto de Itajaí, o material não poderia ter sido trazido ao país por falta de condições sanitárias.

Um laudo elaborado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atestou que o material, identificado como “aparas de plástico”, apresentava a existência de mofo e vetores.

Os seis contêineres com o lixo foram isolados das demais cargas estacionadas no Porto de Itajaí, em virtude do mau cheiro que exalam.

Em uma das etiquetas coladas ao carregamento de lixo é possível identificar o nome de uma empresa de reciclagem da Espanha.

Segundo a Receita, esta é uma das empresas responsáveis pelo comércio ilegal do material oriundo da Espanha com destino final no Brasil.

O registro de importação do lixo teve o valor declarado da carga em R$ 40,7 mil.

O próximo passo, de acordo com a Receita, é autuar a empresa gaúcha que comprou o lixo, que ainda deve ser multada por infrações sanitárias e ambientais. Previsto como crime ambiental, o tráfico de lixo deverá ser investigado pela Polícia Federal (PF).

A rota do navio traficante, carregado com os 6 contêineres e 60 toneladas de lixo, iniciou no porto de Valência na Espanha, em 23 de julho do corrente ano.

De Valência o navio percorreu exatamente 585 milhas e aportou em Livorno na Itália.

De Livorno o navio seguiu para o porto de  Vado Ligure na Itália, cujo trajeto percorrido chegou a 90 milhas.

De Vado Ligure o navio percorreu mais 986 milhas para chegar no porto de Lisboa em Portugal. 

Do porto de Lisboa o navio com as 60 toneladas de lixo tomou rumo da Itália e aportou em Genova, cujo trajeto consumiu 1.019 milhas.

O navio traficante segue de Genova para a Espanha e percorre mais 409 milhas aportando em Barcelona.

A seguir o navio traficante com as 60 toneladas de lixo espanhol toma rumo do Brasil.

Parte de Barcelona e o seu destino é o Rio de Janeiro, trecho que consumiu mais 5.313 milhas.

Do porto do Rio de Janeiro navega mais 209 milhas e aporta em Santos.

De Santos o navio traficante, carregado ainda com as 60 toneladas de lixo,  ruma para a Argentina, percorrendo 1.045 milhas, chegando no porto de Buenos Aires.

De Buenos Aires o navio traficante ruma para Montevidéo, no Uruguai, percorrendo 143 milhas.

No seu último trajeto, o navio traficante carregado com os seis contêineres e 60 toneladas de “aparas de plásticos”, parte de Montevidéo e toma rumo do Brasil, onde chega finalmente no porto de Itajaí, em Santa Catarina. Entre Montevidéo e o porto de Itajaí, o navio percorreu 720 milhas.

O trajeto do tráfico internacional do lixo espanhol durou cerca de 40 dias, envolveu o total de 10.519 milhas, onze portos (Valência, Livornio, Vado Ligure, Lisboa, Genova, Barcelona, Rio de Janeiro, Santos, Buenos Aires, Montevidéo e Itajaí) e seis países (Espanha, Itália, Portugal, Argentina, Uruguai e Brasil).

 “Onde no Brasil seriam enterradas as 60 toneladas de lixo espanhol”?

Presidente da Itália quer mais ação contra crise do lixo

O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, pediu na última sexta-feira (1º/07) que o governo aprove outras medidas para resolver o problema do lixo que afeta a cidade de Nápoles, na região da Campânia, no sul do país.

Segundo o chefe de Estado, o projeto de lei aprovado ontem pelo Conselho de Ministros italiano (dia 30/06) é insuficiente diante da situação de emergência em que o município se encontra.

Em um comunicado, o presidente Giorgio Napolitano afirmou que o projeto de lei “não parece responder às expectativas, muito menos resolve [a crise]“.

“O chefe de Estado demonstra seu desejo de que o governo adote uma intervenção, necessária para assegurar que se supere, efetivamente, essa emergência de relevância nacional”, diz a nota.

Para Napolitano, é preciso que “todas as instituições, junto com as autoridades locais da região da Campânia, assumam suas responsabilidades”.

O projeto de lei aprovado pelo Conselho de Ministros da Itália autoriza a transferência do lixo urbano da cidade de Nápoles para fora da região da Campânia.

Aprovado projeto de lei que visa resolver a crise do lixo em Nápoles

O Conselho de Ministros da Itália aprovou no último dia 30 de junho um projeto de lei que autoriza a transferência do lixo urbano da cidade de Nápoles para fora da região da Campânia, uma medida que visa resolver a crise do lixo no município.

Segundo fontes oficiais, a norma foi aprovada sem o apoio do partido Liga Norte, legenda aliada no âmbito nacional ao Povo da Liberdade (PDL), do primeiro-ministro Silvio Berlusconi. O partido sempre se mostrou contra a aprovação do projeto.

Autoridades regionais também se mostraram insatisfeitos com a norma, argumentando que a transferência do lixo não resolve a “essência do problema”. Segundo eles, seria preciso abrir novos aterros sanitários e criar outros mecanismos de tratamento dos resíduos.

Desde setembro do ano passado, Nápoles e as cidades vizinhas vivem um clima de tensão com manifestações e atos violentos por causa da falta de locais apropriados onde possam ser destinados os resíduos. Na última semana, cidadãos napolitanos atearam fogo a montes de lixo.

A crise do lixo na Itália não é um tema novo. Entre 2007 e 2008, as ruas napolitanas também foram palco de protestos violência por causa do lixo. Na época, depois de duas semanas de greve dos trabalhadores do setor de lixo, o governo precisou acionar o Exército para retirar mais de 100 mil toneladas de resíduos deixados nas ruas da cidade.

Nápoles é asfixiada com lixo pela décima sexta vez consecutiva

Nápoles mais uma vez sofre com o caos no lixo. Algo em torno de 4 mil e cem toneladas de lixo asfixiam as ruas e avenidas da cidade italiana. O caos no lixo na capital do sul da Itália acontece pela décima sexta vez. Há três meses que o lixo está sendo acumulado nas artérias de Nápoles.

Desesperada, a população napolitana começa a incendiar centenas de montanhas de resíduos. Até esse momento já foram 28 incêndios contabilizados.

O monumental problema do lixo que se acumula periodicamente na região de Nápoles envolve disputas políticas, negociatas, corrupção, e interesses econômicos da poderosa máfia napolitana.

Silvio Berlusconi ainda não conseguiu interromper definitivamente o ciclo do caos do lixo em Nápoles. Dessa vez o primeiro-ministro Berlusconi anunciou o envio de 170 soldados e 73 caminhões militares para ajudar a solucionar o problema. É a segunda vez que o Exército italiano é enviado com a mesma missão na cidade. Em 2008, o premiê tomou a medida para conter uma crise similar, após prometer que resolveria a situação durante sua campanha para as eleições gerais.

O caos do lixo em Nápoles, mais uma vez também conincide com as eleições regionais que devem ocorrer daqui a algumas semanas.

A empresa Asia, responsável pela coleta de lixo na cidade de Nápoles, divulgou um comunicado, onde afirma que o problema não é com a logística de coleta de resíduos, e sim com a falta de empreendimentos adequados para a destinação de milhares toneladas de lixo produzidas na capital do sul da Itália.

Modelos femininos são fotografadas em meio ao lixo na Itália

Resíduos sólidos urbanos são produzidos em todas as cidades do universo. Lixo em meio às ruas e avenidas de cidades italianas tem sido mostrado pelos meios de comunicação do mundo inteiro. Basta lembrar Nápoles na Itália que o leitor vai recordar do caos no lixo local.  O problema do lixo é mundial. Mas o da Itália foi destaque internacional. Para protestar contra os danos ao meio ambiente, provocados pelos resíduos sólidos urbanos, profissional de moda fez o ensaio “Rubbish Collection” com belas modelos em meio ao lixo. O contraste tem o objetivo de “abrir os olhos” das pessoas e principalmente das autoridades italianas. Há com esse trabalho um  flagrante desafio a poderosa máfia italiana, intimamente interessada no negócio do lixo. Agora líderes italianos decidiram ignorar os riscos de denunciar o lixo, com destaque para o problema com uma série de pressões, entre eles as fotos de modelos entre os resíduos urbanos na Itália. As modelos foram “clicadas” nas piores zonas degradadas. O leitor percebe que não se trata montagens em estúdio.

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