Arquivo

Artigos com Tag ‘Gomorra’

Estrada Abel de Souza Rosa em Gravataí é usada para a ‘descarga’ de lixo perigoso clandestino

14 de abril de 2009

lixo industrial banner Estrada Abel de Souza Rosa em Gravataí é usada para a ‘descarga’ de lixo perigoso clandestino

Quem leu o livro Gomorra, de autoria do jornalista Roberto Saviano, conheceu detalhes do que acontece no mercado de resíduos industriais na Itália. O despejo clandestino de lixo perigoso no Rio Grande do Sul, em nada difere do relatado na obra de Saviano. Em breve, vamos falar muito sobre o tema hoje em pauta. Ontem, segunda-feira (13/04), o administrador Enio Noronha Raffin e um leitor do portal Máfia do Lixo, percorreram a Estrada Abel de Souza Rosa, em Gravataí (RS). Nessa via municipal, após o número 3.700, encontramos lixo perigoso espalhado pela estrada e em área lindeira a um arroio. lixo industrial 01 300x205 Estrada Abel de Souza Rosa em Gravataí é usada para a ‘descarga’ de lixo perigoso clandestinoUma quantidade significativa de “aparas de couro curtido ao cromo” (wet-blue) foram clandestinamente descarregadas nessa estrada de chão batido. São resíduos industriais da cadeia couro-calçado e considerados perigosos. Esse couro de cor azul lá descarregado é portador de cromo. Ao sofrerem as intempéries do tempo, acabam liberando o cromo, que a seguir contamina o solo e as águas. Artífices em transações de descarga clandestina de lixo perigoso no Rio Grande do Sul não possuem qualquer responsabilidade com o ambiental. São verdadeiros gênios criminosos do negócio da “descarga e aterramento” ilegal de lixos perigosos. Foi requerida a visita do Batalhão Ambiental na Estrada Abel de Souza Rosa, em Gravataí.

Meio Ambiente, Municípios, Polícia , , , , , ,

‘Gomorra’ desnuda o tráfico dos resíduos industriais na Itália (Parte 2/Final)

27 de janeiro de 2009

roberto saviano 150x150 ‘Gomorra’ desnuda o tráfico dos resíduos industriais na Itália (Parte 2/Final)“As imagens de um aterro, de um precipício, de uma mina, se tornam cada vez mais sinônimos concretos e visíveis de perigo mortal para quem mora nas redondezas. Quando os aterros estão no limite, toca-se fogo no lixo. A técnica é aprovada e colocada logo em prática constantemente. Os clãs pagam por isso. Há um lugar na região de Nápoles que é chamado de terra dos fogos.” O jornalista Roberto Saviano diz em seu livro Gomorra, que o triângulo Giugliano-Villaricca-Qualiano possui trinta e nove aterros, dos quais 27 com material de alta periculosidade. ItáliaUm território que aumenta 30 por cento ao ano. A agricultura desses lugares, que antes exportava verduras e frutas até para a Escandinávia, caiu drasticamente. Os frutos nascem doentes, as terras se tornam estéreis. O Instituto Superior de Saúde assinalou que a mortalidade por câncer na Campânia, nas cidades dos grandes escoamentos de lixos tóxicos aumentou nos últimos anos em 21%. Aterros clandestinos que depois de terem sidos usados até o limite, e depois de terem sidos queimados, os clãs conseguiram reconvertê-los em terrenos edificáveis. E assim levantaram graciosos aglomerados de casinhas. Casinhas vendidas a preço baixo, embora todos soubessem que se apoiavam sobre toneladas de materiais tóxicos. Triângulo do fogo na ItáliaEmpregados, aposentados, operários, diante da possibilidade de terem uma casa, não iriam olhar a boca do terreno no qual se assentavam as pilastras das suas casas. Gomorra já vendeu mais de 2 milhões de exemplares em todo o mundo, e o filme a que deu origem, ganhou o Grand Prix em Cannes. “Gomorra é uma extraordinária reportagem sobre as máfias que agem em Nápoles e em toda a Campânia, a qual se lê com tanta fascinação quanto espanto e incredulidade. Roberto Saviano escreveu um excelente livro”, diz Mario Vargas Llosa.

Internacional , , , ,

‘Gomorra’ desnuda o tráfico dos resíduos industriais na Itália (Parte 1)

26 de janeiro de 2009

livro gomorra capa 206x300 ‘Gomorra’ desnuda o tráfico dos resíduos industriais na Itália (Parte 1)O livro Gomorra, de autoria do jornalista Roberto Saviano, desnuda o lixo da Itália. Saviano relata em sua obra (virou fenômeno de venda) os caminhos do tráfico dos resíduos industriais. O sul da Itália é o destino final de todo o lixo tóxico da escória da produção. Diz Roberto Saviano que “a zona mais atingida pelo câncer do tráfico de resíduos tóxicos encontra-se entre as cidades de Grazzaniese, Cancello ad Arnone, Santa Maria la Fossa, Castel Volturno e Casal di Príncipe – quase 300 quilômetros quadrados de extensão – e no perímetro napolitano de Giugliano, Qualiano, Villa Rica, Nola, Acerra e Marigliano. Nenhuma outra terra no mundo ocidental teve uma carga maior de lixos variados, tóxicos e não-tóxicos, despejados ilegalmente. Graças a esse negócio, o faturamento que caiu nos bolsos dos clãs mafiosos e de seus mediadores atingiu, em quatro anos, 44 bilhões de euros. Um mercado que teve nos últimos tempos um incremento total de 29,8% comparável somente a expansão do mercado da cocaína. Dos fins do ano 1990 em diante, os clãs camorristas se tornaram os líderes continentais no escoamento de resíduos. No território de Giugliano na Itália foi descoberta uma mina desativada repleta de lixo. A maior parte do tráfico de detritos tóxicos tem uma direção única: “norte-sul”. Desde os fins dos anos de 1990, um milhão de toneladas de resíduos foram acabar em Santa Maria Capua Vetere. O bispo de Nola define o sul da Itália como o aterro clandestino da Itália rica e industrializada.grazzanise italia 300x165 ‘Gomorra’ desnuda o tráfico dos resíduos industriais na Itália (Parte 1) O mecanismo de despejo de resíduos ilícitos começa com empresários de grandes empresas ou também de pequenas empresas que querem pagar preços irrisórios para se livrar dos resíduos dos quais nada mais é possível extrair senão custos. Depois entram em ação os titulares de centros de armazenagem que aumentam os volumes e alteram seus conteúdos, recolhendo resíduos e em muitos casos misturando-os com lixo comum, diluindo a concentração tóxica e desclassificando, relativamente ao Catálogo Europeu de Rejeitos, a periculosidade dos dejetos tóxicos. Profissionais são fundamentais para rebatizar uma carga de lixo tóxico. Muitos fornecem um formulário de identificação falso com códigos de análises mentirosas. Depois há os transportadores que percorrem o país para chegar ao lugar determinado para descarregar, e por fim há os descarregadores. Elementos necessários para fazer funcionar todo esse mecanismo são os funcionários públicos que não fiscalizam, nem verificam as várias etapas das operações ou os que entregam as administrações de minas e aterros as pessoas claramente inseridas nas organizações criminosas. Os verdadeiros artífices das transações são os stakeholders, ou seja, os intermediários interessados no negócio. São os stakeholders os verdadeiros gênios criminosos do negócio do aterramento ilegal de lixos perigosos.

Quadrilátero dos depísitos clandestinos de resíduos industriais na Itália

Quadrilátero dos depósitos clandestinos de resíduos industriais na Itália

A ‘Operação Houdini’, na Itália, demonstrou que em um único equipamento na região de Vêneto movia ilegalmente cerca de 200 mil toneladas de resíduos industriais por ano. A ‘Operação Cassiopéia’, também promovida pelas autoridades italianas, demonstrou que toda a semana partiam do norte para o sul 40 carretas repletas de resíduos (cádmio, zinco, borra de verniz, lama de depuradores, plásticos diversos, arsênico e chumbo) que eram despejados e enterrados no solo. A direção norte-sul era a preferida dos traficantes. Muitas empresas do Vêneto e da Lombardia, por intermédio dos stakeholders, adotaram um território na região napolitana ou caserana, transformando-o em um enorme depósito de lixo. Estima-se que, nos últimos 5 anos, tenham sido escoados ilegalmente cerca de 3 milhões de toneladas de resíduos de todo o tipo na Campânia, dos quais um milhão somente na província de Caserta. Nem mesmo a região ambientalista da Itália escapou dos traficantes. Um papel relevante na geografia dos tráficos ilícitos tem sido desenvolvido pela Toscana, a região mais ambientalista da Itália. Ali se concentram diversos níveis dos tráficos ilegais, da produção a intermediação, todos descobertos em três investigações: a Operação ‘Rei Midas’, a ‘Mosca’ e a ‘Agricultura Biológica’.”

Internacional , , ,

Três atores do filme ‘Gomorra’ já foram detidos por ligação com a máfia

7 de janeiro de 2009

Mais um ator da produção italiana Gomorra, que concorre ao Oscar de melhor filme estrangeiro este ano, foi preso pela polícia da Itália sob acusação de pertencer à máfia. Giovanni Venosa, que faz o papel de um chefe da máfia que condena dois adolescentes rebeldes à morte, foi preso sob acusação de exigir de comerciantes napolitanos o que na Itália se conhece como pizzo, ou seja, dinheiro em troca de proteção da máfia. Esta é a segunda vez que o ator Giovanni Venosa é preso desde que o filme entrou em cartaz. Gomorra, baseado no livro homônimo do escritor italiano Roberto Saviano, mostra as operações da máfia napolitana Camorra, que controla vários aspectos da vida na região de Nápoles, desde a coleta de lixo tóxico até a alta costura na região de Campânia. Até o momento, três membros do elenco, integrado em grande parte por atores não profissionais, foram detidos. Salvatore Fabbricino, que também interpreta um chefe da máfia no filme, foi preso por acusação de ter contatos com traficantes de drogas.  O ator Bernardino Terracciano, que fez o papel de um outro mafioso, foi preso sob acusação de extorsão e de estar associado ao temido clã de mafiosos Casalesi. Em setembro do ano passado, o governo italiano anunciou o envio de 500 soldados para a região da Campânia para ajudar a polícia a combater os grupos criminosos locais. Na ocasião, o ministro do Interior italiano, Roberto Maroni, disse que a máfia que opera no sul da Itália havia declarado “guerra contra o Estado”.

Internacional ,