Presidente da Itália quer mais ação contra crise do lixo

O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, pediu na última sexta-feira (1º/07) que o governo aprove outras medidas para resolver o problema do lixo que afeta a cidade de Nápoles, na região da Campânia, no sul do país.

Segundo o chefe de Estado, o projeto de lei aprovado ontem pelo Conselho de Ministros italiano (dia 30/06) é insuficiente diante da situação de emergência em que o município se encontra.

Em um comunicado, o presidente Giorgio Napolitano afirmou que o projeto de lei “não parece responder às expectativas, muito menos resolve [a crise]“.

“O chefe de Estado demonstra seu desejo de que o governo adote uma intervenção, necessária para assegurar que se supere, efetivamente, essa emergência de relevância nacional”, diz a nota.

Para Napolitano, é preciso que “todas as instituições, junto com as autoridades locais da região da Campânia, assumam suas responsabilidades”.

O projeto de lei aprovado pelo Conselho de Ministros da Itália autoriza a transferência do lixo urbano da cidade de Nápoles para fora da região da Campânia.

Aprovado projeto de lei que visa resolver a crise do lixo em Nápoles

O Conselho de Ministros da Itália aprovou no último dia 30 de junho um projeto de lei que autoriza a transferência do lixo urbano da cidade de Nápoles para fora da região da Campânia, uma medida que visa resolver a crise do lixo no município.

Segundo fontes oficiais, a norma foi aprovada sem o apoio do partido Liga Norte, legenda aliada no âmbito nacional ao Povo da Liberdade (PDL), do primeiro-ministro Silvio Berlusconi. O partido sempre se mostrou contra a aprovação do projeto.

Autoridades regionais também se mostraram insatisfeitos com a norma, argumentando que a transferência do lixo não resolve a “essência do problema”. Segundo eles, seria preciso abrir novos aterros sanitários e criar outros mecanismos de tratamento dos resíduos.

Desde setembro do ano passado, Nápoles e as cidades vizinhas vivem um clima de tensão com manifestações e atos violentos por causa da falta de locais apropriados onde possam ser destinados os resíduos. Na última semana, cidadãos napolitanos atearam fogo a montes de lixo.

A crise do lixo na Itália não é um tema novo. Entre 2007 e 2008, as ruas napolitanas também foram palco de protestos violência por causa do lixo. Na época, depois de duas semanas de greve dos trabalhadores do setor de lixo, o governo precisou acionar o Exército para retirar mais de 100 mil toneladas de resíduos deixados nas ruas da cidade.

‘Ecomáfias’ italianas faturam 20,5 bilhões de euros

A “ecomáfia” italiana, formada por empresas que realizam atividades ilegais no campo ambiental, cometeu quase 26 mil crimes e faturou 20,5 bilhões de euros em 2008, revelou o relatório divulgado pela organização ecologista Legambiente. Segundo o relatório, desapareceram 31 milhões de toneladas de lixo industrial em 2008, equivalente a uma montanha de 3 mil metros de altura. “O faturamento total da ecomáfia nunca foi mais alto e alcançou níveis recordes no ano mais negro da economia mundial”, disse Sebastiano Venneri, responsável do Observatório Ambiente e Legalidade da Legambiente.  Também foram descobertas 28 mil novas construções ilegais e foram localizados 258 “ecomafiosos” no país. O relatório aponta um aumento das agressões ao patrimônio cultural, da extorsão, das máfias agrícolas e das rotas dos traficantes internacionais de lixo. Por outro lado, aumentou também a capacidade de contraste das forças de segurança. O número de prisões aumentou 13,3% em relação ao ano anterior. O total de crimes ambientais em 2008 diminuiu em relação a 2007 “porque houve a tendência de concentrar a atividade investigadora nos crimes mais graves”, diz o relatório. Em primeiro lugar por número de crimes ambientais aparece a região da Campânia, com 3.907 casos, seguida pelas regiões de Calábria (3.336 casos) e Sicília (2.788 casos).

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