O agravamento da crise na Europa já faz estragos no ingresso de investimentos de multinacionais em produção no Brasil (IED – Investimentos Estrangeiros Diretos), agravando o quadro de forte deterioração das contas externas observado desde o ano passado. Em abril, as contas externas apresentaram o pior resultado para o mês, desde o início da série estatística, em 1947. Apesar do forte crescimento da economia brasileira, o volume de investimentos diretos frustrou as previsões do Banco Central e fechou os primeiros quatro meses em US$ 7,88 bilhões, com queda de 11,05% ante o mesmo período de 2009. Em abril, o fluxo de investimentos somou US$ 2,22 bilhões, com queda de 53,3% sobre o mesmo mês do ano passado e o pior resultado para meses de abril desde 2006. Os investimentos produtivos não foram suficientes para cobrir nem metade do déficit em conta corrente (a soma das operações de comércio, serviços e rendas do Brasil com o Exterior) tanto do mês como do acumulado no ano. Em maio, o fluxo de investimentos estrangeiros diretos mantém a trajetória de queda e até terça-feira somava apenas US$ 1,3 bilhão. A expectativa do Banco Central é de fechar o mês com um ingresso de apenas US$ 1,6 bilhão, novamente sem conseguir cobrir o déficit externo, que o Banco Central prevê em US$ 2,7 bilhões neste mês. Se confirmada a projeção, o investimento estrangeiro em produção de janeiro a maio terá alcançado US$ 9,48 bilhões, apenas 21% dos US$ 45 bilhões esperados para 2010. A incerteza provocada pela crise na Europa tem adiado investimentos. Esse movimento é evidenciado pelo comportamento de multinacionais de países como Alemanha e Espanha, que tradicionalmente investem muito no Brasil. De janeiro a abril, os investimentos alemães somaram apenas US$ 85 milhões, ante US$ 1,99 bilhão em igual período de 2009, quando o quadro econômico mundial ainda era muito ruim por causa dos impactos da crise dos Estados Unidos em 2008. Os investimentos espanhóis, um dos países que mais sofrem com a crise atual, somaram US$ 271 milhões no primeiro quadrimestre, praticamente um quarto do US$ 1,05 bilhão verificado de janeiro a abril de 2009.