Jurere Internacional hasteia a “Blue Flag’ no primeiro dia de 2010 com muito lixo na praia

Nessa sexta-feira, 1º. de janeiro de 2010, o que se pode ver na praia de Jurere Internacional, em Florianópolis, mostra o total descaso de turistas e visitantes com o meio ambiente local. O lixo da virada do ano se acumulou nas ruas e avenidas da famosa praia, que no ano passado conquistou a certificação Bandeira Azul (conhecida mundialmente por Blue Flag). Nessa praia já é rotina encontrar muito lixo no dia 1º. do ano novo. Os moradores de Jurere Internacional não são contra as comemorações de final de ano. O que não querem é conviver com o lixo produzido pelos freqüentadores dos estabelecimentos comerciais a beira-mar e visitantes eventuais. Os locatários dos imóveis que estão localizados a beira mar, em busca de altos lucros, ampliam a capacidade de atendimento de seus estabelecimentos. Chegam a instalar dezenas de banheiros químicos nas passagens que levam ao mar. Os clientes desses bares a beira mar acabam jogando o lixo em todo o lugar por onde transitam. As pequenas e poucas lixeiras instaladas na região não dão conta. O lixo é jogado até dentro do mar. Nesse ano o aumento do lixo na praia de Jurere Internacional decorreu também pela queima de fogos de artifícios em frente ao IL Campanario Villaggio Resort. Os que compareceram a beira mar na virada do ano produziram uma grande quantidade de lixo que foi deixado na praia, ruas e avenidas de Jurere Internacional. Pela manhã desse dia 1º. de janeiro a administração da praia de Jurere Internacional hasteou a “Blue Flag” em meio a todo o lixo da virada do ano. Os moradores e freqüentadores podiam ver diversas bandeiras azuis fincadas ao longo da praia. É importante comentar, que 46 países e 3.000 praias pelo mundo afora atingiram as metas previstas no Programa denominado Bandeira Azul. A gestão com o meio ambiente é uma das exigências. Jurerê Internacional foi a primeira praia, no Brasil e América do Sul, eleita para receber a certificação Bandeira Azul. Esse é um motivo de grande orgulho para todos turistas, visitantes, moradores e freqüentadores de Jurerê Internacional. Apesar da Habitasul, empreendedora de Jurere Internacional, buscar a conscientização de todos sobre a importância da preservação e educação ambiental e do turismo sustentável, o que se vê é a continuação dos erros na área de limpeza urbana. Falta educação, a gestão de resíduos é deficiente e o comportamento ambiental é incorreto. Corrigir os erros com o lixo contribui para Jurere Internacional. Todos saem ganhando. Por enquanto os grandes prejudicados são os moradores. Em uma simples fiscalização pelas ruas e avenidas de Jurere Internacional, qualquer um que por lá transitar, vai verificar ainda nesse sábado que há muito lixo espalhado por todos os lados. Bem próximo ao mastro da “Blue Flag” há lixo. Isso por si só demonstra que algo por lá está errado.

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One Responseto “Jurere Internacional hasteia a “Blue Flag’ no primeiro dia de 2010 com muito lixo na praia”

  1. Marcus Polette disse:

    Prezados…corrigindo o infelizmente…,

    Um Programa de certificação ambiental para Praias necessita de seriedade para a sua implementação!

    De nada adianta ter uma certificação com “grife” se não houver apoio institucional, infra-estrutura e recursos humanos.

    De nada adianta se cercar de políticos, donos de grifes de roupas, ou gente famosa que apóiam uma causa “ambiental” se na estrutura desta causa não houver clareza da realidade.

    Devemos ser cada vez mais profissionais, a fim de não dar margem para conceitos infundados e errôneos na sua essencia.

    Devemos ter clareza do que é gestão ambiental, gestão costeira, e governança costeira. Vejo que neste estudo de caso o erro conceitual está sendo fatal.

    Em 2006, um aluno meu fez uma monografia no curso de Eng. Ambiental na UNIVALI (Itajaí – SC) (quem tiver interesse entre em contato – m.polette@yahoo.com.br) tendo como estudo de caso o Programa Bandeira Azul e Jurerê Internacional (nota dez de todos os examinadores). Naquele momento Jurerê Internacional não tinha condições para uma certificação devido a inúmeros ítens considerados pelo próprio modelo de certificação: Programa Bandeira Azul.

    Logicamente, o tempo passou, mas, como cidadão, pesquisador, professor, e militante da causa ambiental, considero relevante termos estas questões respondidas:

    - Será que este seria o momento apropriado para a praia ser certificada?

    - Como certificar uma praia subdividida por duas realidades tão diferentes?….Jurerê Internacional é uma praia organizada, mas Jurerê Tradicional não possui sistema de tratamento de esgoto, (segundo Relatório da FATMA no dia 27/11, a praia de Jurerê apresentava a qualidade da água imprópria no ponto 54 – http://www.fatma.sc.gov.br/index.php?option=com_docman&task=cat_view&gid=55&dir=ASC&order=name&limit=30&limitstart=30)..,ou seja, uma semana antes de Jurerê Internacional ter recebido a Bandeira Azul ….logo…o ideal não teria sido um trabalho integrado….um esforço para que esta praia também tivesse sido integrada ao Bandeira Azul. Não teria sido o momento de buscar um sistema de gestão ambiental por completo, do que privilegiar somente o pedaço ” abonado” da praia?

    - O comitê brasileiro responsável pela certificação esteve na região para vistoriar e entender o processo de certificação? Este teve noção do que acontece em Jurerê Internacional durante o verão? ou precisamente….do entendimento dos pulsos populacionais críticos do veraneio?

    - Praias com pulsos populacionais frequentes teriam condições de receber certificação? …mas, qual a estrutura mínima necessária que uma Prefeitura deve dispor para isto?

    - A Prefeitura de Florianópolis dispõe de um Departamento para tratar dos Programas de Certificação de Praias? …tenho trabalhado com o modelo uruguaio de certificação de praias – ISO 14001, e em Montevideo…existe um processo muito profissional de integração de departamentos para certificar praias.

    - Não teria sido prudente no dia em que a praia estava literalmente ” um lixo” terem arriado a bandeira, demonstrando assim, que o Programa tinha conceitos diferenciados do que seja ” qualidade”…..

    Mais do que nunca TEMOS QUE DEIXAR CLARO O QUE É EDUCAÇÃO E GESTÂO AMBIENTAL…não podemos conviver com uma visão inadequada do que sejam estes processos, pois:
    1. Informação ambiental e educação ambiental são coisas muito diferentes…temos que ser mais profissionais!
    2. Gestão ambiental e um processo que exige mediação de interesses, é um processo que deve buscar um planejamento efetivo da realidade em todos os cenários possíveis.

    Gostaria de deixar claro que os programas de certificação de praias DEVEM mais do que nunca chegar ao Brasil!

    Hoje existe no Brasil uma iniciativa de propor um sistema de gestão muito mais adequada a realidade das nossas praias…trata-se do Programa ISO 14001 para Praias que está sendo estruturado com a ABNT.

    No entanto, espero que o Programa Bandeira Azul possa repensar o seu próprio modelo frente a realidade brasileira. Não importa que este modelo já exista em dezenas de países europeus, e em milhares de praias….

    A realidade social, econômica, ambiental (sistêmica) do nosso país é muito diferente dos países europeus….não podemos ter a visão ainda arcaica de que se na Europa é bom…para nós também vai ser…

    Desejo, no entanto, que esta experiência possa ser reavaliada….

    Boa sorte!

    Marcus Polette

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