Inscreva-se: Artigos | Comentários | Email
Busca no site
Lixo aparece na ‘delação premiada’ do ex-secretário extraordinário de Relações Institucionais do Governo do Distrito Federal
Durval Barbosa Rodrigues, delegado aposentado da polícia civil e ex- Secretário Extraordinário de Relações Institucionais do Governo do Distrito Federal (GDF) acusa o governador José Roberto Arruda (DEM) de envolvimento em recebimento de propinas de empresários prestadores de serviços no DF. No processo de no. 650 que tramita no Superior Tribunal de Justiça a subprocuradora Geral da República do Ministério Público Federal (MPF), Raquel Elias Ferreira Dodge diz ao Ministro Presidente do STJ que “trata-se de depoimento prestado espontaneamente em 17 de setembro de 2009 ao Ministério Público da União, sobre fatos que podem caracterizar crime em detrimento de bens e de instituições públicas, praticado por autoridade com foro no STJ, cujos indícios de materialidade e de autoria também foram apresentados pelo declarante.”
No processo constam os documentos enviados pelo MPF. Entre eles está as declarações do ex-secretário extraordinário de Relações Institucionais do GDF, que acusa o governo de José Roberto Arruda de envolvimento em recebimento de propinas. Cita o nome do governador, de assessores, empresários e deputados do Distrito Federal. Dorval Barbosa entregou ao MPF farta documentação e CDs contendo diversos vídeos.
Em uma das fitas José Roberto Arruda aparece recebendo dinheiro das mãos de Dorval Barbosa. O dinheiro, conforme apurou a PF seria para pagamento de despesas pessoais do governador. A investigação indica que a fonte do dinheiro teria sido uma empresária da área de informática, que o teria repassado a título de “pedágio” regular pelos contratos supostamente direcionados por Arruda para a empresa com o então governo Roriz. O áudio da gravação no vídeo diz: “Você podia me dar uma cesta, um negócio aqui…”, pede Arruda, alegando que precisa guardar os maços de dinheiro.
Enquanto Barbosa se levanta para buscar um pacote para guardar o dinheiro, Arruda emenda: “Eu tô achando que você podia passar lá em casa, porque descer com isso aqui é ruim.” Barbosa faz sinal de discordância e diz apenas: “Humm? Por quê? Não tem… (trecho inaudível)”. Outros vídeos mostram Durval, a mando de Arruda, providenciando a entrega de um suposto mensalão aos deputados Leonardo Prudente (DEM), presidente da Câmara Legislativa (R$ 50 mil), Eurides Brito (PMDB), Junior Brunelli (PSC), Odilon Aires (PMDB) e Benício Tavares (PMDB), além do chefe de gabinete do governador, Fábio Simão, todos com R$ 30 mil.
Um vídeo é dedicado ao jornalista Omézio Pontes recebendo dinheiro. Na fita se ouve a contagem do deinheiro colocado na pasta de Omézio. “Cinqüenta, setenta e cinco. Cem. Durval Barbosa, em 17 de setembro de 2009, aceitou a oferta de se tornar réu colaborador em troca de benefícios pelos mais de 20 processos a que responde na Justiça. Agentes da Polícia Federal de Brasília, na operação Caixa de Pandora, cumpriram mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro Fernando Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), na Câmara Legislativa e em gabinetes de assessores do governo do Distrito Federal. O governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (DEM) negou na última sexta-feira (27/11) participar de qualquer esquema de pagamento ilegal a sua base aliada na Câmara Legislativa distrital.
A seguir o governador José Roberto Arruda demitiu o secretário extraordinário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, e afastou dos cargos José Geraldo Maciel (chefe da Casa Civil), Fábio Simão (chefe de gabinete), José Luiz Vieira Valente (secretário da Educação) e Omézio Pontes (assessor de imprensa). As medidas só foram tomadas depois que a PF cumpriu mandados de busca e apreensão nas casas e gabinetes dos secretários, deputados distritais e empresários que mantêm contratos com o Distrito Federal. Por meio da assessoria, o governador José Roberto Arruda disse que colaborará com a investigação e que as irregularidades começaram na gestão anterior e que “podem ter continuado”. Ele afirmou ainda que “só se pronunciará quando conhecer o processo”.
Entre as declarações de Dorval Barbosa ao Ministério Público Federal consta a de que um deputado distrital (que aparece em um dos vídeos entregues ao MPF) é “dono” de parte do contrato do lixo, relacionado ao lixo hospitalar do Distrito Federal.


