O bispo Luiz Flávio Cappio, de Barra (BA), chamou o projeto de transposição das águas do rio São Francisco, propagandeado pelo presidente Lula, de um “tsunami” e que as obras de revitalização do rio promovidas pelo governo federal são “marolinhas”. Cappio fez duas greves de fome contra a transposição, em 2005 e 2007. Disse o bispo: “O projeto de transposição segue como um tsunami violento. Está lá o Exército desmatando tudo, passando por cima de vilas e aldeias, de roças e de gado, para garantir o trabalho. E as obras de revitalização, que são essenciais para a vida do rio São Francisco, são marolinhas, coisas insignificantes”. Dom Luiz Flávio Cappio também foi ácido com a viagem de Lula: “O que o presidente veio fazer em Barra foi apenas um marketing de mídia para mostrar para o Brasil e para o mundo algo que não existe, uma farsa, uma mentira. O projeto de revitalização não acontece. Foi mais uma de suas grandes mentiras sobre esse projeto. Foi apenas um show”. E por isso o bispo organizou um protesto, com os sinos de sua igreja tocando o dobre fúnebre: “Foi a única maneira de homenagear aquele que está matando o rio em nome da ganância. Durante a minha vida toda fiz tudo para colocar Lula na Presidência. Mas, infelizmente, uma vez que ele se tornou presidente, ele passou a governar o Brasil pensando nas grandes elites, como esse projeto de transposição que garante apenas a segurança hídrica de grandes projetos de irrigação. Se o projeto realmente levasse água a quem precisa, eu seria o primeiro a apoiá-lo”.
Eu não votei no Lula, mas se sua eleição se baseasse neste projeto em contraposição a quem fosse contra, eu teria votado nele. Uma das poucas coisas boas deste governo ganha crédito em críticas de clichê de um bispo militante. E o que mais me impressiona é que a greve de fome deste sujeito ganha mais destaque do que discussões sobre a obra do ponto de vista ambiental e de engenharia.
Ou isto ocorre justamente porque nossa academia já capitulou a uma discussão técnica?