Aconteceu nessa segunda-feira (07/09) na Paróquia de Santana – Campo de Santana Curitiba, no Paraná, o XV Grito dos Excluídos. A manifestação popular visa demonstrar à sociedade que a independência tão propagada pelos meios oficiais, ainda está longe de acontecer entre a grande maioria de brasileiros excluídos de dignidade e condições básicas de vida. Entre estes destacamos os pobres, os índios, os negros e tantos outros que lutam para ver seus direitos de cidadãos respeitados. O Grito dos Excluídos deste ano fez coro à situação de desleixo que a Prefeitura Municipal de Curitiba quer impor aos moradores da região da Caximba no bairro Tatuquara com a ampliação do Lixão “dito aterro sanitário”, mas que de sanitário não tem nada haja vista a grande quantidade de doenças bem como o desconforto do mal cheiro a que os moradores estão sujeitos. Não bastando a situação atual, a Prefeitura da Capital paranaense pretende desapropriar moradores que vivem na região a quase um século para dar continuidade ao projeto do lixão da Caximba.
Os movimentos populares participaram em massa e embora os discursos e a presença de diversos partidos políticos de esquerda pretendessem dar ao movimento um jeito de nova opção para a “salvação da pátria”, o que vale a pena destacar é a presença forte da Igreja Católica que trouxe além da participação de seus Pastores D. João Carlos Seleme, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Curitiba e D. Ladislau Biernaski, Bispo da Diocese de São José dos Pinhais (PR) um grande número de fiéis liderados por sacerdotes como o Pe. José Cunha, vigário paroquial da Paróquia Santana, um defensor ferrenho das causas sociais e organizador desta caminhada na Paróquia. A caminhada teve início às nove horas da manhã e se estendeu até ao meio dia, com paradas e discursos voltados para diversas causas que clamam por atitudes das elites governistas como a Aldeia indígena Kakané-Porã, o “Lixão da Caximba, as drogas e a mortalidade de adolescentes e jovens. Neste tempo de massificação e globalização, a Igreja caminha juntamente com outras denominações religiosas e não religiosas, cristãs e não-cristãs, dando ao povo a certeza de que leva a sério as decisões do Concílio Vaticano II, conforme esta escrito no prólogo da Constituição Pastoral Gaudium et Spes: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo. Não se encontra nada verdadeiramente humano que não lhes ressoe no coração”. Cabe a nós Batizados, darmos testemunho com nossas vidas de que somos verdadeiros discípulos missionários de Jesus Cristo fazendo opção e defendendo as causas dos que mais sofrem. Para o representante das pastorais sociais, dom Ladislau Biernaski, o Grito dos Excluídos deste ano representa a voz daqueles brasileiros que ainda não são tratados como cidadãos de fato. “A força está na sua organização. É isso que o Grito dos Excluídos faz, ou seja, uma voz apenas não basta para mostrarmos quão degradante é a situação dessas pessoas que vivem próximas ao aterro”, avalia dom Ladislau Biernaski. Para o presidente da Aliança para o Desenvolvimento Comunitário do Caximba (Adecom), “o Grito dos Excluídos nos dá a chance de alertar os nossos gestores sobre o caos que está se tornando o aterro da Caximba. Precisamos de uma solução urgente para tal situação”. O padre José Antônio da Cunha, diz que “o Grito dos Excluídos vestiu a camisa da luta dos moradores contra o aterro. Há 20 anos o aterro traz transtornos aos moradores da Caximba. Estamos ganhando mais vozes com o grito, ou seja, pessoas a favor da vida e da dignidade. Além disso, estamos lutando para implantação de um novo sistema de tratamento do lixo e ainda contra o consórcio municipal do lixo, que pretende implantar o mesmo projeto de aterro sanitário do outro lado da rua onde atualmente o aterro está localizado. Isso é inadmissível”.