‘Criação de urubus’ em Picos no Piauí

Lá no passado, a construção de uma capela pelo Sr. Borges Marinho, grande fazendeiro da região, foi o marco inicial do povoamento da cidade de Picos, no Piauí. Nesse período o território pertencia ao município de Oeiras. O processo acelerado de povoamento do município deveu-se a instalação das fazendas da família Borges Leal. Por estar localizada numa fertilíssima várzea, vários compradores de eqüinos eram atraídos para essa região, situada na margem direita do rio guaribas, cercada por montes picosos. Daí a origem de seu nome “Picos”. Os Ministérios Públicos do Trabalho (MPT), Federal (MPF) e Estadual (MPE) vão trabalhar juntos na cidade de Picos, que fica a 310 quilômetros ao Sul de Teresina, com o objetivo de evitar e coibir irregularidades trabalhistas, sociais e ambientais verificadas na coleta e tratamento de lixo naquele município, terceiro mais populoso do Piauí. Em reunião na sede do MPT em Picos, ficou acertada entre procuradores do Trabalho, Edno Moura Carvalho, Marcos Duanne Barbosa de Almeida; da República, Frederick Lustosa de Melo e o promotor de Justiça Elói Pereira de Sousa Júnior, a unificação das investigações que vêm sendo feitas pelas três instituições. Informados de que o Município de Picos contratou uma engenheira sanitarista para elaborar projeto de limpeza urbana, os representantes do MPT, MPF e MPE solicitaram que a Prefeitura informe o local escolhido para a destinação de todo o resíduo sólido coletado na cidade. Outra preocupação é quanto a coleta e destinação do lixo hospitalar. Os procuradores alertam para o risco à saúde dos empregados das clínicas que manejam resíduos sólidos e daqueles que realizam o transporte até o depósito de lixo. Eles foram informados pela Vigilância Sanitária que muitos hospitais e clínicas sequer têm o plano de gerenciamento de resíduos de saúde. Os representantes do MPF e MPE também estão atentos às denúncias de danos ambientais. Moradores do bairro Altamira, onde localiza o depósito de lixo, reportam sérios problemas como à queima do lixo. Em relação ao trabalho infantil, representantes do Conselho Tutelar afirmam que ainda aparecerem crianças trabalhando no depósito de lixo, embora tenha diminuído bastante após a atuação do MPT.

Já no lixão de Picos pode-se ver uma grande quantidade de vetores. Os urubus, com o lixo jogado a céu aberto, acabam tendo farta “comida” no local. É como se ocorresse uma criação de urubus, que se alimentam com o lixo e lá se reproduzem. A reprodução dos urubus acontece no início da primavera. Diferentemente da maioria das aves, eles não constroem ninhos em plantas. As fêmeas fazem a postura em árvores ocas, entre outros locais. Normalmente, colocam dois ou três ovos, sendo que o período de incubação varia de 49 a 56 dias conforme a espécie. Os cientistas ainda não desvendaram totalmente o mistério (de como o urubu se abastece com comida estragada), mas acreditam que essas aves se deliciam com o banquete sem passar mal graças ao seu sistema imunológico e ao seu potente suco gástrico. Os urubus têm um andar engraçado e desengonçado por causa de seus pés chatos. Eles não possuem habilidade para caminhar, como fazem outras aves, e dão pequenos pulinhos para se deslocar. Ao contrário de aves de rapina como as águias, eles não têm uma garra funcional, por isso não conseguem capturar presas. Como é um animal necrófago, que se alimenta de carne em putrefação, o urubu sempre está presente em lixões e aterros sanitários. Para encontrar a refeição, o urubu conta com olfato e visão apurados. São capazes de ver um bicho pequeno a 3 mil metros de altura. Manter um lixão é estimular a criação de urubus.

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