Técnicos brasileiros e paraguaios tentam alinhavar acordo sobre Itaipu

Às vésperas da visita do presidente paraguaio, Fernando “Pai Nosso” Lugo, ao Brasil, técnicos dos dois países intensificam as conversas a fim de alinhavar um acordo para anúncio pelos presidentes Lugo e Lula. Fontes diplomáticas negam que o governo brasileiro proporá a compra antecipada do excedente de energia do Paraguai, proposta já rechaçada pelo engenheiro Ricardo Canese, coordenador da Comissão Negociadora do Paraguai. Quanto à prorrogação do pagamento da dívida do Paraguai de 2023 para 2040, aventada pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, não há consenso nem mesmo entre os técnicos brasileiros. Por enquanto, permanecem sobre a mesa as três propostas feitas pelo Brasil em janeiro deste ano, em reunião entre ministros de Energia, Fazenda e Relações Exteriores dos dois países. Na ocasião, o governo brasileiro propôs a criação de uma nova linha de crédito do BNDES, no valor de US$ 1 bilhão, para obras de infraestrutura no Paraguai, incluindo uma linha de transmissão de Itaipu a Assunção que permitiria maior acesso dos paraguaios aos 50% da energia de Itaipu a que têm direito por contrato. Também continuam de pé as propostas brasileiras de criação de um fundo binacional de desenvolvimento para estímulo à atividade produtiva no Paraguai e a possibilidade de dobrar a taxa de US$ 105 milhões paga anualmente pelo Brasil pela cessão da energia de Itaipu não utilizada pelo Paraguai. O governo paraguaio pede a elevação dessa taxa para US$ 800 milhões. Também reivindica o reajuste da tarifa paga pelo Brasil pela energia excedente e a livre disponibilidade para comercializar tal excedente em outros mercados.

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