Pesquisas desenvolvidas no campus de Lincoln da Universidade de Nebraska (EUA) revelam que o vírus da Influenza Aviária pode permanecer vivo e ativo por pelo menos 600 dias. A descoberta põe por terra o entendimento corrente de que, detectado um surto de Influenza Aviária, seria suficiente – em relação às aves infectadas – mata-las e enterra-las. É preciso bem mais, aponta a pesquisa. O que também significa dizer que vírus decorrentes de surtos ocorridos há pelo menos 18 ou mais meses podem não ter sido inteiramente controlados, como se pensa: continuam a disseminar a doença, mantendo latente o risco de surgimento de uma pandemia. A pesquisa realizada não envolveu o temido H5N1, mas o subtipo H6N2, que em 2002 afetou diversos estados norte-americanos. Um desses estados foi a Virginia, onde mais de quatro milhões de aves (especialmente perus) morreram ou foram submetidas a sacrifício sanitário e, a seguir, enterradas em aterros sanitários municipais (lixões) localizados próximos às granjas afetadas. Conforme um dos autores do estudo, o objetivo foi avaliar, exatamente, o tempo de sobrevivência do vírus da Influenza Aviária no lixiviado dos aterros sob diferentes condições ambientais. Os resultados mostraram que os vírus permaneceram ativos no lixiviado (líquido que se forma a partir da decomposição do material sólido enterrado) por períodos de tempo que variam desde 30 até 600 dias. Os dois fatores que mais contribuíram para reduzir o período de sobrevivência do vírus foram (1º) as temperaturas elevadas (o vírus da IA é típico das baixas temperaturas) e (2º) o pH do lixiviado, ácido ou alcalino. Mesmo assim, os pesquisadores concluíram que os aterros sanitários representam um meio adequado para a deposição de carcaças de aves infectadas com o vírus da Influenza Aviária. Desde, claro, que o aterro tenha sido concebido de forma a manter por longos anos e sem riscos o material nele depositado.