Presidente de honra do PSDB, o ex-presidente nacional Fernando Henrique Cardoso fez um prognóstico que deixa preocupado o seu partido. Ele previu que a petista Dilma Rousseff subirá nas pesquisas. Estimou que ela fechará o ano de 2009 nas proximidades dos 20%. E pode roçar os 30% nos primeiros meses de 2010. Essa avaliação fecha com a de Lula. Ele estima que Dilma Rousseff deverá alcançar o piso de 30%. Fernando Henrique Cardoso enxerga no percentual um teto do petismo, que só Lula conseguiu ultrapassar. As avaliações de Fernando Henrique Cardoso foram apresentadas em uma jantar com os principais líderes do DEM na residência oficial do governador de São Paulo, José Serra, na noite da última quinta-feira. Os líderes do DEM apresentaram suas preocupações. Disseram: 1) falta ao linguajar de Serra um tônus oposicionista; 2) é equivocada a estratégia de delegar a outros líderes da oposição a tarefa de estabelecer o contraponto ao governo Lula, porque o eleitor quer ouvir os candidatos; 3) Serra e o governador mineiro Aécio Neves deveriam frequentar o noticiário com a cara de candidatos à presidência; 4) a suavidade do discurso da dupla favorece a candidatura oficial de Dilma Rousseff; 5) Lula está conseguindo passar a idéia de que seu governo nada tem a ver com a crise, uma encrenca que vem de fora; 6) é certo que a crise nasceu nos Estados Unidos, mas corrói o PIB brasileiro além do razoável graças à “incúria” do presidente e de sua equipe; Os líderes do DEM acham que, unindo São Paulo e Minas Gerais, estados governados pelo PSDB e que têm os maiores eleitorados do País, a chance de sucesso é grande. Os “demos” que falaram de maneira mais enfática no jantar foram Rodrigo Maia (presidente), José Agripino Maia (líder no Senado), José Roberto Arruda (governador do Distrito Federal), Roberto Magalhães (deputado), José Carlos Aleluia (deputado), Roberto Brant (ex-deputado) e Luiz Carlos Santos (ex-coordenador político do governo Fernando Henrique Cardoso). Luiz Carlos Santos construiu a analogia mais impactante da noite. Comparou o Serra-2010 ao Geraldo Alckmin-2008. Disse que, na campanha municipal do ano passado, Alckmin, que entrara na disputa como favorito, se perdeu porque não conseguiu encarnar nem o discurso de oposição, monopolizado pela petista Marta Suplicy, nem o de governo. Acrescentou que, para fugir ao vexame de Alckmin, Serra deve apressar-se em ocupar o campo da oposição. Algo que não fará se continuar dando refresco a Lula. Ao final, depois de ouvir calado às observações, Serra desagradou a todo mundo, porque disse que não é hora de fazer campanha.