Procuradoria denuncia dono da Gautama em desdobramento da Operação Navalha

O Ministério Público Federal em Sergipe apresentou denúncia na última sexta-feira contra Zuleido Veras, dono da construtora Gautama, e contra Rubem Paulo de Carvalho Patury Filho, ex superintendente da Polícia Federal em Sergipe. Zuleido foi investigado pela Polícia Federal durante a Operação Gautama, que desarticulou um suposto esquema de fraudes em licitações públicas. Ele é suspeito de liderar o esquema. De acordo com a Procuradoria, interceptações telefônicas realizadas com autorização judicial mostraram Zuleido pagando propina de R$ 7.000 para o então superintendente da PF em Sergipe. Para os procuradores da República Paulo Gustavo Guedes Fontes, Ruy Nestor Bastos Mello e Eduardo Botão Pelella, Zuleido desejava contar com a boa vontade de Patury para evitar problemas com a PF em Sergipe, onde a Gautama executava obras da adutora do São Francisco. Essas obras foram consideradas irregulares pela CGU (Controladoria-Geral da União). A denúncia diz que “diante dos interesses escusos no Estado de Sergipe e mormente em razão das investigações já encetadas à época pelo Ministério Público Federal, a concessão de vantagens a Patury tinha o objetivo de determiná-lo a favorecer Zuleido e a Gautama no âmbito de sua atuação funcional”. Além de Zuleido e Patury, também foram denunciados Magna Soraya da Silva Patury, mulher do ex-superintendente da PF no Estado, Florêncio Brito Vieira, empregado da Gautama, e os lobistas Francisco de Assis Borges Catelino e Joel Almeida de Lima, esse último é delegado aposentado da PF. A suposta máfia das obras foi desarticulada em 2007 pela Operação Navalha, da Polícia Federal. Zuleido Veras, é acusado de liderar o esquema de pagamento de propinas para autoridades públicas. A quadrilha atuava no Distrito Federal e em nove Estados, Alagoas, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Sergipe, Pernambuco, Piauí, Maranhão e São Paulo, infiltrada nos governos federal, estadual e municipal. Segundo a PF, a quadrilha desviou recursos do Ministério de Minas e Energia, da Integração Nacional, das Cidades, do Planejamento, e do Dnit (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes). Para obter vantagem nas licitações para obras públicas, a empresa pagava propina e dava presentes para as autoridades envolvidas.

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