Vítimas de terrorismo na Itália chamam decisão do governo brasileiro de ‘grotesca’

O vice-presidente da associação das vítimas do terrorismo da Itália, Roberto Della Rocca, criticou a decisão do governo Lula de conceder refúgio político a Cesare Battisti, condenado por terrorismo, acusado de assassinar quatro pessoas. Em entrevista ao jornal “Corriere della Sera”, Della Rocca classificou a decisão de “grotesca” e afirmou que a medida faz parte de “uma doutrina Lula”. Della Rocca afirmou que a concessão do benefício foi uma decisão política do governo brasileiro que não encontra respaldo nas leis italianas. “É uma negação ao Estado de Direito porque Battisti na condição de cidadão italiano cometeu crimes gravíssimos e já foi condenado várias vezes. Diante de um sujeito marcado por gravíssimos crimes volta-se ao velho lenga lenga da perseguição política”, disse ele. O representante da entidade lembra que Battisti sempre recorreu à condição de refugiado político para deixar de cumprir pena pelos crimes cometidos. Della Rocca disse que o terrorista só se mudou para o Brasil depois que seu refúgio político na França corria o risco de ser revertido porque o governo francês tinha aceitado o pedido de extradição feito pela Itália. Ao destacar que a legislação italiana é mais rigorosa, Della Rocca insinuou que no Brasil a Justiça é cega. “Ou é uma Justiça generosa ou é uma Justiça que não quer vê as coisas”, afirmou Rocca.

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