
Lista de crimes no Rio Grande do Sul: os assassinos do jovem Mário não foram identificados pela polícia gaúcha
Estamos em janeiro de 2005 (ano de dois mil e cinco). O cidadão brasileiro Sergio Mário Gabardo, é um homem honrado, trabalhador e empresário. Possui uma família, um único filho homem. O jovem Mário Sergio Gabardo, 20 anos, seu filho, é estudante do curso de Direito da PUCRS, também um homem honrado, trabalhador e empresário. O pai Sergio Mário Gabardo iniciou sua vida profissional transportando tomate. “Comeu poeira”. Mais tarde, Sergio Mário ingressou no ramo do transporte de automóveis. Formou a TransGabardo (uma das grandes empresas cegonheiras do Brasil). Sergio Mário é um empresário de sucesso, conhecido no Brasil. Naquele ano de 2005, podíamos ver uma família brasileira que venceu pelo trabalho, que contribuiu ano a ano com seus impostos para que o Brasil seguisse o seu caminho como um país. Tudo estava certo. Mas, Deus reservava para essa família algo que poucos brasileiros já vivenciaram. Na noite de 29 de setembro de 2005, o seu filho Mário Sergio Gabardo, diretor da frota de caminhões cegonheiras da TransGabardo, teve a sua vida interrompida. Mário Sergio é brutalmente assassinado. O crime ocorreu na cidade de Canoas, na região metropolitana do município de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Por volta das 21h30min naquela noite de 29 de setembro, Mário Sergio termina uma prova na Faculdade de Direito da PUCRS, em Porto Alegre, e logo se dirige para a cidade de Canoas, onde reside e possui muitos amigos. Mário Sergio faz compras para uma confraternização, um churrasco, onde estariam presentes os amigos. Chega então à rua Tomé de Souza na cidade de Canoas, em seu automóvel. Ao estacionar o veículo, o jovem é abordado por um homem portando uma arma de fogo. O bandido desceu de um Ford KA de cor prata. Mário Sergio está ainda dentro de seu automóvel. O assassino faz um único disparo com a arma de fogo. O projétil acerta o coração de Mário Sérgio. Na gíria se diria “coisa de profissional”. Mário Sergio ainda consegue arrancar o seu automóvel, em alta velocidade, tenta dobrar à sua esquerda, mas bate em uma árvore. Mário Sergio Gabardo está morto. Os assassinos fogem em alta velocidade. O assassinato de Mário Sergio Gabardo provavelmente ingressa na “Lista” da Secretaria Estadual de Segurança do RS como mais um “crime ainda não solucionado”. Uma vergonha para a sociedade. Hoje, 29 de janeiro de 2009, a família Gabardo ainda sofre com o assassinato de Mário Sergio. Nesta data completa 3 anos, três meses e 4 dias do assassinato de Mário Sergio Gabardo.
Um crime sem solução? “Quem seriam esses assassinos? Teriam assassinado meu filho a mando de alguém?” Apenas duas perguntas que até hoje Sergio Mário Gabardo ainda não tem as respostas. Sergio Mário Gabardo tem a forte convicção de que os assassinos serão presos pelas autoridades de Segurança Pública do Rio Grande do Sul. Mas não fica esperando pelas autoridades públicas. Como cidadão brasileiro e como pai, Sergio Mário Gabardo pressiona para que as autoridades de segurança pública cumpram o seu papel. Somente assim o assassinato de Mário Sergio Gabardo não passará definitivamente para o esquecimento público. Recebo hoje mais um email do meu amigo Sergio. Vamos ler. “Uma vez mais, venho à presença dos senhores para dizer que mais um mês se passou, sem que eu tenha notícias do ocorrido com meu filho Mário. Ele foi morto em 29 de setembro de 2005 e, até o momento, as autoridades envolvidas no caso não conseguiram identificar os autores ou mandantes. Ele tinha, apenas, 20 anos e era um filho como todos os pais gostariam de ter. Apesar da pouca idade, aliada à humildade e vontade de crescer, Mário destacou-se profissionalmente, conquistando o respeito de todos os funcionários e clientes da empresa. Estava pronto para assumir a empresa em janeiro de 2006. Isso tudo não era novidade no mercado e estávamos incomodando outras empresas do ramo. Eu recebi muitas ameaças dirigidas à minha pessoa e à empresa, muitas delas registradas, além de várias coincidências que eu poderia relacionar aqui, mas que não vem ao caso, pois estão tramitando em outra esfera. Como começou o processo: o assassinato do Mário foi tratado pelas autoridades que chamaram a perícia como “carro atingido por arma de fogo”, sem nenhuma referência a sua morte. Como esse é o início que desencadeou todo o processo, imaginem o desfecho. No dia seguinte, enquanto seu corpo estava sendo velado, o computador pessoal de Mário desapareceu misteriosamente de sua mesa de trabalho, mas isso foi considerado como outro caso, sem relação com a morte dele e simplesmente ignorado, apesar da empresa ter fornecido cópia da fita de filmagem e insistido para que fosse investigado. Se os senhores estão cansados de ler meus textos, um dia por mês, tentem se colocar no meu lugar. Como pai que teve seu então único filho assassinado, eu vejo relação entre todas as situações expostas acima. Mas estou sozinho nessa luta.
O Estado, representado pelas autoridades que se dizem competentes, não se fez presente, nem mesmo para dizer que compreendia a minha dor de pai, ou que sentia muito. E isso, mesmo depois de muito insistir para ser recebido por algumas dessas autoridades. Será que não há uma única autoridade, nessa imensa lista, que tenha poder para mandar investigar o assassinato do Mário com o respeito que ele, como cidadão, merecia? Sou um cidadão comum, não um político, nem autoridade nesse meio. Mas será que isso justifica o descaso com que venho sendo tratado? Onde estão os Ministérios Públicos Estadual e Federal ou a Polícia que sempre nos encheu de orgulho? Só percebe a situação real da segurança pública (que de segurança só tem o nome) quem enfrenta uma situação semelhante a minha. Não espere que chegue a sua vez para fazer alguma coisa. Nesse dia, pode não haver mais segurança, nem mesmo no nome, pois pode ter sido substituída por “impunidade pública”, como de fato já foi. Para mim, o dia é o 29. Qual será o de vocês, pais de família, que ainda acredita na força de nossa justiça, como eu acreditava? Peço a Deus que proteja suas famílias, na certeza de que Ele não nos abandona, pois a justiça dos homens já não merece a minha consideração e de nem um cidadão Brasileiro. Sérgio, pai do Mário.
É de arrepiar cabelo de relógio, diria Mãe Véia – avó falecida em 2004. Apelando para o senso comum, digo que isso cheira a envolvimento de gente graúda – pública e privada -, o que faz a investigação andar a passo de cágado.
Se estivesse no lugar do Sérgio Mário, se tivesse os recursos que ele dispõe, já teria contratado um investigador particular para cuidar do caso. Ficarei na torcida para que se dissipem as névoas que encobrem esse assassinato bestial.
Fui colega do Marinho, querido, no Direito/Pucrs, e hoje sou advogado.
Me lembro do trabalho nota dez que ele apresentou na cadeira de economia, sobre cartéis, falando da sua experiência, da realidade do mercado de transportadoras-cegonheiras e da existência de cartel no ramo. A denúncia às autoridades competentes acerca do cartel, me parece, foi feita pela TransGabardo, do que resultou em sucessivas ameaças até culminar com o assassinato do Mário. Máfia do Lixo, Máfia das Transportadoras. Esta última fez suas vítimas: o Mário, o Sérgio e sua Família, e nós, colegas, cingidos a prestar uma simples e sincera homenagem póstuma na colação de grau ao invés de tê-lo ao lado, quem sabe, por toda a vida.
O simples assassinato já merecia uma investigação; aliado ao fato da existência do cartel das transportadoras, é inaceitável que até hoje não se tenha qualquer conclusão preliminar que aponte para o desfecho do caso.
Tudo isso é muito triste; é uma vergonha.
Espero que o Estado ainda possa nos dar alguma resposta.
Saudades, Marinho!