A empresa Tecnoresíduos, subcontratada pela empresa PRT Prestação de Serviços Ltda (essa contratada diretamente pelo Município de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, para a coleta do lixo), investiga a origem do “pó” que intoxicou pelo menos 26 pessoas no início da noite da última segunda-feira (19/01) no lixão da Caturrita. A empresa Tecnoresíduos acredita se tratar de um produto usado na lavoura que, foi colocado no lixo doméstico e não no industrial. É possível saber de qual o município veio o carregamento de lixo, e direcionar na busca de quem transgrediu a legislação. Uma amostra do pó tóxico foi recolhida e encaminhada para o Laboratório de Análise de Resíduos e Pesticidas da Universidade Federal de Santa Maria. As 26 pessoas que trabalham na seleção do lixo em Santa Maria passaram mal. A substância, de cor amarelada, provocou dor de cabeça, vômito e irritação nos olhos. Todos os atingidos foram encaminhados para o Pronto Atendimento Municipal. A Tecnoresíduos é responsável pela destinação do lixo de 18 municípios, e foi subcontratada pela PRT, empresa que realiza a coleta do lixo em Santa Maria. A área da empresa onde ocorreu a intoxicação ficará isolada até que a substância seja identificada. Uma das hipóteses da Vigilância Sanitária de Santa Maria é que a substância seja um agrotóxico, já que a atividade principal das cidades da região é a agricultura. O órgão ainda trabalha com a hipótese de que o produto tenha sido contrabandeado, já que não continha rótulo, e pode ser, inclusive, proibido no Brasil. Uma revisão, em 2000, da Lei dos Agrotóxicos obriga os agricultores a devolverem as embalagens e os resíduos de agrotóxicos nas lojas onde eles foram comprados, para que sejam recolhidos pelos fabricantes e descartados de forma segura. Segundo o Ministério da Agricultura, em caso de descumprimento dessa medida, o agricultor pode receber uma multa de até R$ 19 mil. No entanto, produtos contrabandeados não podem ser recolhidos pelas lojas, já que não têm nota fiscal e, com isso, costumam ser descartados de forma inadequada, queimados ou enterrados, o que pode, além de intoxicar pessoas, causar danos ambientais. Segundo a Prefeitura de Santa Maria, não é possível identificar quem realizou o descarte do pó amarelo, já que o lixo que estava sendo separado era proveniente de três municípios vizinhos à cidade.