Os mais de 2,5 milhões de habitantes das sete cidades da Grande ABC produzem cerca de 2.000 toneladas de lixo por dia. A coleta, o transporte, a triagem e o descarte de todo esse material consomem cerca de R$ 51,6 milhões por ano. São Bernardo lidera. Maior população da região, com cerca de 800 mil habitantes, a cidade produz, mensalmente, 19 mil toneladas de resíduos, gastando R$ 1,5 milhão com o serviço. Santo André recolhe pouco menos, algo em torno de 18.500 toneladas por mês, mas empenha o mesmo valor mensal no tratamento do lixo. Em seguida está Diadema, que produz 8.600 toneladas, pagando R$ 990 mil. Mauá gera outras 7.000 toneladas a cada 30 dias e gasta R$ 150 mil. São Caetano calcula recolher cerca de 5.000 toneladas. Ribeirão Pires registra outras 2.000 toneladas, consumindo R$ 101 mil mensais. Rio Grande da Serra coleta 550 toneladas por mês. O serviço gera despesa de R$ 60 mil. Com exceção de Santo André, que acondiciona o material em área municipal, as demais cidades encaminham seu lixo para aterro sanitário instalado em Mauá que é administrado e operado pela empresa Lara.
Santo André trata o lixo que produz. Precisa ampliar seu aterro municipal. Com a capacidade bem próxima do limite, o aterro instalado na Cidade São Jorge poderá continuar recebendo resíduos somente até abril deste ano. Em atividade desde 1986, o espaço mantido pelo Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) já enterrou uma massa de resíduos solídos urbanos que chega a 4,2 milhões de toneladas. A última das células para depositar o lixo começou ser ocupada este mês e estará completamente cheia antes do final de abril. Cada uma dessas divisões tem altura média de cinco metros, que, depois de preenchidas, são cobertas por camadas de terra e grama. Captados pelos drenos, conectados e espalhados por todo aterro, o chorume (poluente líquido gerado pelo lixo) do aterro de Santo André é encaminhado para a Estação de Tratamento de Esgoto da região. O gás proveniente do lixo é queimado no próprio terreno. A gerente de Tratamento e Disposição Final dos Resíduos Sólidos disse que a ampliação do atual espaço só aguarda aval da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) para entrar em operação. Se autorizado, o novo aterro ocupará área ao lado do depósito atual. A expectativa da autarquia é de que a nova instalação possa funcionar por mais 13 anos.
Na cidade de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, depois de ser divulgada a liberação por parte da FEPAM-RS para a construção do novo transbordo de lixo, o antigo local volta a ter problemas. Na última quinta-feira, uma carreta que faz o transporte do lixo para o aterro de Minas do Leão (da empresa Sil soluções Ambientais Ltda do Grupo Copelmi) bateu em um dos postes de sustentação da rampa, ocasionando a quebra da estrutura e a interrupção das atividades. A secretaria municipal do Meio Ambiente foi acionada e já trabalhava na recuperação da rampa para que a coleta de lixo tivesse continuidade. Cinco caminhões da empresa RN Freitas (com sede em Porto Alegre), que faz a coleta do lixo em Bento Gonçalves, estavam parados, pois não podiam descarregar. De acordo com o presidente da Associação de Moradores do bairro, Lotário Schneider, haverá cobrança por uma solução rápida. “Não vamos aceitar que se dê um jeitinho e que continue assim. Não suportamos mais o mau cheiro nem as moscas. Se continuar este estado precário, vai haver uma manifestação forte. Queremos que a prefeitura nos dê um prazo para a solução e que este prazo seja garantido através de um documento.” Quanto a área do novo transbordo do lixo, a prefeitura de Bento Gonçalves garante que o processo de licitação para a construção do novo local já está em andamento e deve levar cerca de três meses para ser concluído. A partir disso, a obra poderá levar mais 90 dias para estar concluída. Vamos acompanhar.
O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) admitiu a possibilidade de o Senado Federal editar um decreto legislativo anulando a portaria em que o ministro da Justiça, Tarso Genro, concede “refúgio político” ao terrorista italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua em seu país por quatro assassinatos. Ele informou ontem, domingo, que a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado vai convocar o ministro Tarso Genro, para que ele explique as razões para a concessão do “refúgio” ao terrorista criminoso italiano. Eduardo Azeredo disse que não consegue entender como o ministro tomou essa decisão, especialmente porque a Itália tem uma das mais sólidas democracias do mundo, onde não há os chamados “presos de consciência”, tampouco perseguições por razões ideológicas.
O governo da Itália divulgou ontem, domingo, em nota oficial, o conteúdo da carta enviada ao presidente do país, Giorgio Napolitano, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a concessão do status de refugiado político ao ex-ativista Cesare Battisti. Segundo o comunicado, em sua carta Lula defende a decisão do ministro da Justiça, Tarso Genro, alegando que ele se orientou por sólidas bases jurídicas brasileiras e internacionais. Cesare Battisti, acusado de ter cometido quatro assassinatos entre 1978 e 1979, foi condenado à prisão perpétua na Itália. Na semana passada, ele recebeu do governo brasileiro o status de refugiado político. “Lula quis exprimir a plena consideração de seu país com a magistratura italiana e com o Estado de direito democrático vigente na Itália, e confia no caráter democrático, humanitário e legítimo do nosso sistema jurídico”, diz o texto do governo italiano. A nota oficial explica ainda que “a carta é concluída com a reafirmação dos laços históricos e culturais que unem o Brasil e a Itália e da vontade de reforçar as relações bilaterais entre os dois países”. Após ler a mensagem de Lula, Giorgio Napolitano informou no documento que “concorda” com a intenção do governo italiano de recorrer a “todo instrumento jurídico previsto no ordenamento brasileiro e internacional” para conseguir a extradição de Cesare Battisti.