Em Belo Horizonte o Município firmou contrato com o Consórcio Horizonte Asja para a a exploração do biogás gerado no aterro sanitário da Central de Tratamento de Resíduos Sólidos da BR-040, localizado na região Noroeste da capital. A empresa foi a vencedora da licitação realizada pela Prefeitura e tem concessão para explorar o local durante 15 anos. O valor envolvido chegou a R$ 16 milhões. O Consórcio Horizonte Asja é responsável pelo projeto, implantação, operação e manutenção do sistema de coleta, processamento e queima do gás, com vistas à obtenção e comercialização das Reduções Certificadas de Emissões (RCE), em conformidade com os Mecanismos de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Quioto. O biogás, produzido a partir da decomposição do lixo, é composto por metano e dióxido de carbono (CO²), principais responsáveis pelo efeito estufa. O novo processo vai evitar que qualquer quantidade dos poluentes seja dispersa diretamente no ar e a cada ano será possível evitar a emissão de 450 mil toneladas de gases na atmosfera, o que equivale à produção de 450 mil RCE (Reduções Certificadas de Emissões). O investimento da empresa no empreendimento está orçado em R$ 80 milhões. Os créditos de carbono são certificados expedidos quando ocorre a redução de emissão de gases que provocam o efeito estufa. Eles também são chamados de Reduções Certificadas de Emissões (RCE). Esse crédito pode ser comercializado no mercado internacional, com cotações nas bolsas de valores. Isso porque acordos como o Protocolo de Quioto definem uma cota máxima de gases que os países desenvolvidos podem emitir. Se um país ou indústria não conseguem atingir as metas de redução de emissão, pode comprar os créditos de carbono de outras localidades. As negociações no mercado de carbono mundial chegaram a US$ 118 bilhões em 2008, um aumento de 84% em relação ao ano anterior. Ao todo foram transacionadas quatro bilhões de toneladas de permissões de emissão de gases do efeito estufa, o que representa um crescimento de 42% com relação a 2007. Apesar das incertezas econômicas, neste ano de 2009 os negócios deve chegar a US$ 150 bilhões. A participação das Reduções Certificadas de Emissão (RCEs) secundárias no mercado, principal instrumento financeiro do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), cresceram vertiginosamente, passando dos 8% em 2007 para 13% no ano passado. Em 2008, estas transações somaram US$ 14 bilhões. As RCEs secundárias são aquelas vendidas por consultorias, que assumem os riscos e garantem os créditos mesmo que o desenvolvedor do projeto não consiga entregá-los. Já o mercado de RCEs primárias, adquiridas diretamente de quem desenvolveu o projeto de redução de emissões, teve uma queda de 30% em comparação com 2007, passando de estimados 551 milhões de toneladas (US$ 7,4 bilhões) para 381 milhões de toneladas (US$ 5,8 bilhões). Com tudo isso, a cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Brasil, continua fora do mercado.