Inscreva-se: Artigos | Comentários | Email
Busca no site
‘Gomorra’ desnuda o tráfico dos resíduos industriais na Itália (Parte 2/Final)
“As imagens de um aterro, de um precipício, de uma mina, se tornam cada vez mais sinônimos concretos e visíveis de perigo mortal para quem mora nas redondezas. Quando os aterros estão no limite, toca-se fogo no lixo. A técnica é aprovada e colocada logo em prática constantemente. Os clãs pagam por isso. Há um lugar na região de Nápoles que é chamado de terra dos fogos.” O jornalista Roberto Saviano diz em seu livro Gomorra, que o triângulo Giugliano-Villaricca-Qualiano possui trinta e nove aterros, dos quais 27 com material de alta periculosidade.
Um território que aumenta 30 por cento ao ano. A agricultura desses lugares, que antes exportava verduras e frutas até para a Escandinávia, caiu drasticamente. Os frutos nascem doentes, as terras se tornam estéreis. O Instituto Superior de Saúde assinalou que a mortalidade por câncer na Campânia, nas cidades dos grandes escoamentos de lixos tóxicos aumentou nos últimos anos em 21%. Aterros clandestinos que depois de terem sidos usados até o limite, e depois de terem sidos queimados, os clãs conseguiram reconvertê-los em terrenos edificáveis. E assim levantaram graciosos aglomerados de casinhas. Casinhas vendidas a preço baixo, embora todos soubessem que se apoiavam sobre toneladas de materiais tóxicos.
Empregados, aposentados, operários, diante da possibilidade de terem uma casa, não iriam olhar a boca do terreno no qual se assentavam as pilastras das suas casas. Gomorra já vendeu mais de 2 milhões de exemplares em todo o mundo, e o filme a que deu origem, ganhou o Grand Prix em Cannes. “Gomorra é uma extraordinária reportagem sobre as máfias que agem em Nápoles e em toda a Campânia, a qual se lê com tanta fascinação quanto espanto e incredulidade. Roberto Saviano escreveu um excelente livro”, diz Mario Vargas Llosa.

Salve.
Pois é. A Itália é um País especialmente curioso, principalmente pelo comportamento de seu povo que da paixão arrebatadora e emocional passa para uma postura fria e calculada. Em qualquer assunto.
Parece mais um País daqui do terceiro munco incrustado na Europa.
São males conhecidos: Máfia de tudo quanto é coisa, agora a do Lixo; Nápoles soterrada pelo mesmo Lixo por anos e, pior, a única solução encontrada é a oferecida pelo Máfia.
Desta forma, continua ganhando o crime organizado em detrimento do agricultor e,seguindo a cadeia de consumo, volta ao próprio povo que terá de enfrentar o desabastecimento de produtos e, novamente, o lixo, fechando um circulo vicioso e perigoso para os mais fracos….como está se vendo.
Bem parecido com as coisas daqui.
Lamentável.