A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça aprovará nesta quarta-feira, 10, a condição de anistiado político do líder seringueiro Chico Mendes pelos graves constrangimentos causados a ele, sua família e companheiros quando enquadrado na Lei de Segurança Nacional durante a ditadura militar. “O Estado Brasileiro está reconhecendo que errou e pede desculpas por esse erro”, disse Sueli Bellato, vice-presidente da Comissão de Anistia. A viúva de Chico Mendes, Ilzamar, afirmou que o período em que Chico Mendes esteve enquadrado na LSN foi um dos mais terríveis de sua vida. Ela estava grávida de Elenira e os dias que antecediam as viagens a Manaus, onde Chico respondia ao processo, eram de absoluta angústia e sofrimento. “O Chico temia não voltar a Xapuri e sofria com a situação da família. Muitas vezes ficávamos sem alimento. Esse tempo foi de muito sofrimento”, disse Ilzamar. O julgamento do no Teatrão com a presença do ministro da Justiça, Tarso Genro, e cerca de dez conselheiros da Comissão de Anistia. Chico Mendes, Lula, Jacó Bittar e José Francisco (membro da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, Contag) foram enquadrados na LSN porque participaram de um ato realizado em Brasiléia em 1980 em protesto ao assassinato do sindicalista Wilson Pinheiro. Para o aparelho repressor, eles estariam incitando a população a ir contra decisão judicial. O pedido de anistia foi protocolado em 2005.