O presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou neste sábado que a construtora Camargo Corrêa está interessada em assumir as tarefas da Odebrecht, expulsa do país em outubro por problemas na construção da hidrelétrica de San Francisco. O líder equatoriano se reuniu na sexta-feira com representantes da Camargo Corrêa, à qual se referiu como uma “grande construtora que está muito interessada em construir as hidroelétricas no país e assumir o que a Odebrecht deixou”. Correa expulsou a Odebrecht em outubro ao considerar que houve falhas na central hidrelétrica de San Francisco, construída pela empresa brasileira. O presidente criticou a posição adotada pelo Brasil por causa da polêmica, que levou a relação bilateral a uma situação “tensa”, nas palavras da ministra das Relações Exteriores, María Isabel Salvador. O governo brasileiro decidiu convocar a consultas o embaixador em Quito depois de um processo de arbitragem interposto pelo Equador em uma corte internacional, para que resolva as controvérsias de um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao país. Correa assegurou que não pedirá desculpas ao Brasil por sua posição e que também não tem que dar explicações, pois alega que as ações do governo equatoriano no caso são justas. O presidente considerou que o governo brasileiro está se “equivocando muito” por ter levado a terreno diplomático um assunto que se limita ao de um Estado contra uma empresa privada. Por isso, insistiu em que o que o Brasil fez “não tem amparo legal, não tem pé nem cabeça”. Para Correa, seu governo “fez o correto e seguirá fazendo”, e advertiu de que enquanto ele for presidente, não pedirá permissão a ninguém para exercer a soberania e defender o direito e os interesses de sua nação.