O Brasil comemora neste mês os 20 anos da inauguração do primeiro reator nuclear genuinamente nacional, o IPEN/MB-01, que entrou em operação em novembro de 1988. Desenvolvido por pesquisadores do Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), em parceria com a Marinha, é uma ferramenta básica para testar o funcionamento de outros reatores e confirmar na prática as projeções realizadas pelos cientistas. O país havia inaugurado 30 anos antes o seu primeiro reator nuclear –e também da América Latina, o IEA-R1. Entretanto, o complexo foi projetado e construído pela empresa norte-americana Babcock & Wilcox. Localizado no campus da USP (Universidade de São Paulo), o IPEN/MB-01 ao contrário, foi desenvolvido por um instituto brasileiro. O reator foi produzido durante o planejamento para a construção do primeiro submarino de propulsão nuclear fabricado no Brasil, que ainda não saiu do papel –a Marinha diz que o submarino fica pronto em 2021. Um dos objetivos da construção do complexo era fornecer subsídios científicos ao projeto. Os reatores funcionam como “uma bomba controlada”, de forma a gerar, sobre certos materiais, os efeitos radioativos ou produzir energia. O dispositivo permite controlar o processo de fissão nuclear (“quebra” de átomos de urânio). O IPEN/MB-01 tem uma potência pequena, de 100 Watts, porque seu objetivo não é produzir energia para consumo, como as usinas de energia nuclear de Angra –Angra 1 tem capacidade de geração de 657 Megawatts elétricos, e Angra 2, de 1.350 Megawatts elétricos. O complexo do Ipen é aplicado no estudo da física dos reatores, que estudam o comportamento desse tipo de dispositivo. A idéia é permitir a simulação das características nucleares de um reator de grande porte em escala reduzida, antes da instalação efetiva. O reator pode ser configurado de acordo com o teste. “Você pode ver o comportamento do nêutron [partícula integrante do átomo] para qualquer reator, inclusive de propulsão. É possível configurá-lo para que ele dê noções do comportamento do reator”, afirma o pesquisador Antonio Teixeira, gerente do Centro de Engenharia Nuclear do Ipen. Atualmente, o reator é utilizado em pesquisas dos Estados Unidos e da Europa, por meio de acordos de cooperação.
O presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou neste sábado que a construtora Camargo Corrêa está interessada em assumir as tarefas da Odebrecht, expulsa do país em outubro por problemas na construção da hidrelétrica de San Francisco. O líder equatoriano se reuniu na sexta-feira com representantes da Camargo Corrêa, à qual se referiu como uma “grande construtora que está muito interessada em construir as hidroelétricas no país e assumir o que a Odebrecht deixou”. Correa expulsou a Odebrecht em outubro ao considerar que houve falhas na central hidrelétrica de San Francisco, construída pela empresa brasileira. O presidente criticou a posição adotada pelo Brasil por causa da polêmica, que levou a relação bilateral a uma situação “tensa”, nas palavras da ministra das Relações Exteriores, María Isabel Salvador. O governo brasileiro decidiu convocar a consultas o embaixador em Quito depois de um processo de arbitragem interposto pelo Equador em uma corte internacional, para que resolva as controvérsias de um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao país. Correa assegurou que não pedirá desculpas ao Brasil por sua posição e que também não tem que dar explicações, pois alega que as ações do governo equatoriano no caso são justas. O presidente considerou que o governo brasileiro está se “equivocando muito” por ter levado a terreno diplomático um assunto que se limita ao de um Estado contra uma empresa privada. Por isso, insistiu em que o que o Brasil fez “não tem amparo legal, não tem pé nem cabeça”. Para Correa, seu governo “fez o correto e seguirá fazendo”, e advertiu de que enquanto ele for presidente, não pedirá permissão a ninguém para exercer a soberania e defender o direito e os interesses de sua nação.
O governo da Bolívia ameaçou na última sexta-feira rescindir um contrato com a construtora brasileira Queiroz Galvão, caso a empresa não retome as obras de uma rodovia no sul do país. A advertência aconteceu depois que a empresa solicitou um pagamento adicional de US$ 50 milhões para completar a estrada que unirá as cidades de Potosí e Tarija. A construção está paralisada há pouco mais de um ano. “O prazo de 10 de dezembro é o último que se concede para a execução da obra. Se a Queiroz Galvão não apresentar um plano aceitável de obras até o dia 10 de dezembro, faremos uma nova licitação”, disse a presidente da empresa estatal que administra as estradas bolivianas (ABC), Patricia Ballivián. A representante da estatal acrescentou que com a execução de uma carta de garantia da Queiroz Galvão de US$ 23 milhões, mais um crédito remanescente da Corporação Andina de Fomento, a ABC teria à sua disposição mais de US$ 80 milhões para financiar a conclusão da obra, que está 70% concluída. A construção da rodovia de 420 quilômetros, contratada originalmente por US$ 220 milhões, está paralisada desde o ano passado por uma decisão da ABC, que anulou o contrato por suposta má qualidade da obra. Posteriormente, as duas partes fecharam um acordo no qual a Queiroz Galvão aceitou concluir a rodovia pelo preço original, reparando as falhas e fissuras. Mas a retomada das obras não aconteceu. A rodovia Potosí-Tarija facilitará o transporte entre o centro boliviano e países vizinhos como Argentina e Paraguai.
Das 32 ações propostas pelo plano de controle ao desmatamento do governo federal, apenas três tiveram implantação eficiente e eficaz no combate à destruição da floresta, de acordo com relatório que avalia os quatro primeiros anos (2004-2007) do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAM). O relatório, produzido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), deveria ter sido divulgado no início do ano. Ambientalistas acusam o governo de ter “engavetado” o relatório, ao mostrar que o plano por ele avaliado não funciona. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o diretor de Políticas para o Controle do Desmatamento, Mauro Pires, defendeu-se, atribuindo o atraso da implementação do plano à mudança observada para a curva da destruição da floresta no final de 2007. Segundo o documento, a maioria das ações implantadas teve eficácia “indefinida” para a queda da devastação. Atividades sustentáveis tiveram implementação “baixa”. A avaliação considerou de eficácia “nula” as ações de regularização fundiária, com dificuldades como denúncias de corrupção nas superintendências. O documento aponta o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) como órgãos onde a “cultura ambiental” não avança. A pior avaliação ficou com o Ministério de Minas e Energia (MME), que teria uma “cultura ambiental zero” por ver o meio ambiente como entrave ao desenvolvimento do país. Apesar das críticas, o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc defendeu o plano de combate ao desmatamento. Segundo ele, as ações que tiveram implementação eficiente têm um peso maior na dinâmica do desmatamento.
A aprovação do orçamento de 2009 ocorrida na Câmara Municipal DE Salvador, Bahia, na última quarta-feira colocou em discussão qual a importância dos investimentos da prefeitura com publicidade em detrimento de outros itens importantes, como a educação. Foi exatamente o que a vereadora Olívia Santana (PCdoB) questionou da Lei Orçamentária Anual enviada pelo prefeito João Henrique (PMDB) à casa legislativa e que já está valendo para o ano que vem. A vereadora verificou que os recursos disponibilizados para a publicidade da Secretaria Municipal de Educação (SMEC) são maiores do que para a construção de novas escolas. Enquanto a propaganda da Smec tem orçamento de R$ 5,7 milhões, a construção e ampliação de unidades escolares, ficou com R$ 4,2 milhões. “A prefeitura prefere se comunicar do que construir escolas”, critica Olívia Santana. Dos R$ 12,3 milhões investidos pelo prefeito João Henrique Carneiro (PMDB) em propaganda no ano de 2008, R$ 3,6 milhões foram entre 1º de junho e 5 de julho, o que representa uma concentração de 29,7% no período de 35 dias. Os números foram informados pela Secretaria Municipal de Comunicação (Secom). Quando se compara o período pré-eleitoral com a média mensal dos últimos quatro anos, verifica-se que os dias antecedentes ao processo eleitoral concentraram um montante de gastos com publicidade mais que o dobro da média mensal nos últimos quatro anos. O incremento é de R$ 2 milhões, ou 125%. Ou seja, enquanto R$ 3,6 milhões foram usados no período pré-eleitoral, a média mensal dos quatro anos da administração de João Henrique é de R$ 1,6 milhão. O que significa dizer que quase um terço do investimento anual ficou concentrada nas vésperas do processo eleitoral.